MPMG denuncia nove pessoas por participação em organização criminosa na Zona da Mata
Investigados são alvos da Operação Quione, deflagrada em julho em cidades de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra nove pessoas apontadas como integrantes dos núcleos de comando, liderança e apoio de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho, com atuação em Leopoldina e municípios da região.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Regional de Visconde do Rio Branco e pela 1ª Promotoria de Justiça de Leopoldina. Os denunciados são investigados no âmbito da Operação Quione, deflagrada em 9 de julho pelo MPMG e pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
A operação teve como objetivo investigar uma organização criminosa com atuação na Zona da Mata mineira e no estado do Rio de Janeiro. Segundo o MPMG, o grupo teria uma estrutura hierarquizada, com divisão de funções, logística para distribuição de drogas e atuação em diferentes municípios.
Investigação
De acordo com a denúncia, a organização receberia drogas do estado do Rio de Janeiro e atuaria na distribuição dos entorpecentes e na manutenção de áreas sob influência do grupo em Leopoldina e cidades próximas.
O MPMG afirma ainda que os investigados utilizariam violência e intimidação para estabelecer regras de convivência nas comunidades. Entre as práticas citadas estão punições internas chamadas de “disciplinas” e “tribunais do crime”, além do monitoramento das forças de segurança e da utilização de armas de uso restrito.
As investigações também apontaram suspeitas de recrutamento de adolescentes para atividades criminosas. Segundo o Ministério Público, foram identificadas ações relacionadas ao financiamento de eventos locais e discussões sobre a cobrança de valores de moradores para posterior distribuição de benefícios.
Outro ponto mencionado na denúncia é a padronização das embalagens dos entorpecentes apreendidos durante as investigações. Conforme o MPMG, diferentes apreensões apresentaram embalagens, etiquetas e referências associadas à mesma organização, o que indicaria, segundo os investigadores, uma estrutura de fornecimento e distribuição entre o Rio de Janeiro, Leopoldina e outros municípios.
Mandados e apreensões
Durante a Operação Quione, foram cumpridos 70 mandados judiciais. Desse total, 27 eram de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão. As ordens foram cumpridas em Leopoldina, Recreio, Juiz de Fora e no Rio de Janeiro.
As investigações que antecederam a operação resultaram, segundo o MPMG, na apreensão de mais de cinco mil porções de drogas, quatro fuzis e diversos carregadores de armas de fogo.
Também foram identificados episódios de violência atribuídos à organização investigada, incluindo torturas, espancamentos, ameaças e ataques contra desafetos.
A operação contou com integrantes do MPMG e policiais militares, além do apoio do Gaeco e do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Nova Lei Antifacção
A denúncia está entre as primeiras do país fundamentadas na Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção. A legislação instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e criou tipos penais relacionados a organizações que utilizem violência ou grave ameaça para exercer domínio territorial ou controle social.
Os nove denunciados foram enquadrados, entre outros dispositivos, nos artigos 2º e 3º da legislação, que tratam dos crimes de domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado.
Segundo o MPMG, os investigados teriam contribuído para a manutenção de uma estrutura destinada ao controle territorial e social por meio de violência e grave ameaça, além de dificultar a atuação das forças de segurança.
A lei prevê pena de 20 a 40 anos de reclusão para o crime de domínio social estruturado. A legislação estabelece ainda hipóteses de aumento da pena, como liderança da organização, uso de armas de uso restrito, participação de crianças ou adolescentes e utilização de recursos tecnológicos para monitoramento territorial ou das forças de segurança.
A denúncia foi encaminhada ao Poder Judiciário. Caberá à Justiça analisar o recebimento da acusação e o prosseguimento da ação penal.


