Golpe do falso advogado usa processos judiciais e promessa de pagamento para abordar moradores da região

Golpe do falso advogado usa processos judiciais e promessa de pagamento para abordar moradores da região
Reprodução: Gabriel Victor/ Folha da Mata

Moradores da região estão sendo abordados por pessoas que se apresentam como advogados e utilizam informações de processos judiciais para prometer a liberação de valores.

Os contatos ocorrem principalmente pelo WhatsApp e incluem fotos de supostos escritórios, imagens de audiências virtuais, documentos em PDF e pedidos de informações bancárias. 

Um dos casos foi relatado por Josimar Silva Freitas, que recebeu mensagens de um número associado ao nome de Alex Anoel Andel Fialho. O interlocutor afirmou que havia uma decisão favorável em um processo contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e informou que o beneficiário teria direito a receber R$ 87.934,55.

Na conversa, o suposto advogado afirma que a juíza teria determinado o pagamento por meio de depósito judicial e pede que a vítima confirme o banco, a agência e a conta para o recebimento dos valores. Em seguida, envia um documento apresentado como decisão judicial, além de mensagens sobre uma suposta audiência e imagens de uma sala de atendimento.

Os documentos anexados à conversa mencionam o processo nº 6003322- 82.2024.4.06.9666, atribuído ao Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), e indicam Josimar Silva Freitas como parte autora e Alex Anoel Andel Fialho como advogado.

O texto também cita o INSS como réu e aponta o valor de R$ 87.934,55. Outro documento, relacionado a Edson Soares Fialho, apresenta estrutura semelhante. Nesse caso, o suposto beneficiário aparece como parte de um processo contra o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), também com valor indicado de R$ 87.934,55. O arquivo menciona o processo nº 6002076- 12.2025.4.06.0000 e traz o mesmo nome de advogado.

As abordagens tentam transmitir aparência de legitimidade. Nas mensagens, o interlocutor diz estar em um tribunal, afirma participar de audiência e envia imagens de uma sala com pessoas trabalhando, além de uma captura de tela de uma videoconferência que exibe a logomarca do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em outro momento, o contato utiliza a fotografia de um homem vestido de terno e se identifica como advogado.

Apesar disso, os materiais apresentam sinais que precisam ser verificados. As conversas mencionam o STJ, enquanto os documentos enviados fazem referência ao TRF-6. Além disso, os textos usam expressões e estruturas que não são suficientes, por si só, para comprovar a autenticidade de uma decisão judicial. A existência de um número de processo e de um arquivo com aparência oficial também não garante que o documento seja verdadeiro.

A principal estratégia desse tipo de golpe é criar expectativa de recebimento de uma quantia elevada e, em seguida, solicitar dados bancários ou cobrar valores antecipados sob a justificativa de pagamento de taxas, impostos, honorários, custas ou despesas para liberar o dinheiro. Em alguns casos, os criminosos também podem tentar obter documentos pessoais, senhas ou códigos de acesso.

Até o fechamento desta matéria, não foram apresentados ao jornal registros de prisão ou de identificação dos responsáveis pelas abordagens. Também não havia confirmação oficial, nos materiais encaminhados, de investigação conduzida pela Polícia Civil ou pela Polícia Federal. Os relatos e documentos devem ser entregues às autoridades para análise e eventual abertura de inquérito.

COMO EVITAR O GOLPE

Não forneça senha, código recebido por SMS, dados completos de cartão ou informações bancárias por mensagem. Não faça pagamentos para liberar valores de processos sem confirmar a cobrança diretamente com o advogado e com o órgão oficial responsável. Consulte o processo nos portais oficiais dos tribunais, digitando o endereço no navegador em vez de acessar links recebidos pelo WhatsApp.

Confirme se o advogado está regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Entre em contato com o escritório por um número já conhecido, e não apenas pelo telefone usado na abordagem. Em caso de suspeita, faça capturas de tela, preserve os áudios e documentos recebidos e registre boletim de ocorrência.

Se houve transferência bancária, procure imediatamente o banco para solicitar as medidas cabíveis e registre a ocorrência. A OAB e os tribunais não costumam solicitar senhas ou códigos de acesso por WhatsApp. A comunicação sobre movimentações processuais deve ser confirmada nos canais oficiais e diretamente com o profissional responsável pelo caso.

Matéria publicada na edição 3659 do jornal Folha da Mata - 03/09/2026. Se você quer ver com exclusividade, fique sempre de olho na banca mais próxima da sua região!

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