Escola Estadual Raul de Leoni irá se tornar Colégio Tiradentes

Anúncio foi feito pelo Governador Mateus Simões (PSD) em visita à cidade

Escola Estadual Raul de Leoni irá se tornar Colégio Tiradentes
Créditos: Sandro Filho (@sandrofilho.fotos)

Durante agenda do programa Governo Presente na última semana, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou que, a partir de 2027, a Escola Estadual Raul de Leoni, localizada no Bairro Santo Antônio, será transformada em uma unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais.

A mudança ocorre dentro do projeto de expansão da rede de ensino militarizado do estado, viabilizado pela Lei nº 25.090/2024, de autoria do deputado estadual Coronel Henrique (PL). A legislação permite a ampliação do número de salas de aula e a criação de novas unidades do Colégio Tiradentes em Minas Gerais. Atualmente, a rede conta com 30 escolas, e a proposta do Governo de Minas é ampliar esse número para 60.

Segundo Mateus Simões, a lei determina que cabe ao governador definir os municípios que receberão as novas unidades do Colégio Tiradentes, e Viçosa foi escolhida nesse contexto.

A reportagem do Folha da Mata entrou em contato com a direção da Escola Estadual Raul de Leoni, que informou não ter sido comunicada oficialmente pelo Governo de Minas sobre a mudança. Segundo a administração da escola, o conhecimento da transição ocorreu apenas após o anúncio feito pelo governador, sem detalhes práticos sobre a implementação do novo modelo até o momento. A Superintendência de Ensino de Ponte Nova também não tinha conhecimento sobre o assunto. 

Com a transformação em unidade do Colégio Tiradentes, a escola passará a reservar 50% das vagas para filhos e filhas de militares  (policiais e bombeiros) enquanto as demais serão destinadas a estudantes civis.

O governador afirmou ainda que os atuais alunos não serão retirados de suas turmas e que a mudança ocorrerá de forma gradual, acompanhada de uma ampliação da estrutura da escola. Segundo ele, as famílias terão liberdade para decidir se os estudantes permanecerão ou não na instituição durante o processo de transição.

Mateus Simões destacou também que a adaptação completa para o novo modelo deverá ocorrer ao longo de quatro anos. Os investimentos do Governo de Minas para a mudança ainda não foram divulgados.

Colégio Tiradentes

O Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais integra o Sistema de Ensino da Educação Básica da PMMG, instituído pela Lei nº 20.010, de 5 de janeiro de 2012. A rede possui unidades na capital e em cidades do interior do estado, tendo a Polícia Militar de Minas Gerais como entidade mantenedora.

As diretrizes educacionais são definidas pelo Comando-Geral da PMMG, com gestão técnica da Diretoria de Educação Escolar (DEE).

Atualmente, o sistema conta com cerca de 24 mil alunos matriculados no Ensino Fundamental e Médio, distribuídos em 30 colégios espalhados por Minas Gerais.

Com a chegada do Colégio Tiradentes a Viçosa, o município se juntará a cidades da Zona da Mata como Juiz de Fora, Ubá e Leopoldina, que já possuem unidades da rede.

Moção de repúdio 

Foi aprovada por unanimidade na Câmara Municipal de Viçosa, durante a reunião ordinária realizada na segunda-feira, 18, uma moção de repúdio contra a transformação da Escola Estadual Raul de Leoni em unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais. O documento, apresentado pelos vereadores Jamille Gomes (PT), Professor Idelmino (PCdoB) e Maria Prisca (PT), será encaminhado ao governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD).

A votação chamou atenção não apenas pela aprovação unânime, mas também pela posição adotada por alguns parlamentares que, embora favoráveis à instalação do Colégio Tiradentes em Viçosa, acompanharam a moção de repúdio ao modelo como o processo vem sendo conduzido pelo Governo do Estado.

O principal exemplo foi o vereador Cristiano Gonçalves (Solidariedade), que durante a própria sessão reafirmou apoio à implantação do Colégio Tiradentes na cidade e destacou que o governador Mateus Simões já teria garantido o funcionamento da unidade no prédio do Raul de Leoni a partir do próximo ano. Em outro momento da reunião, no entanto, o parlamentar reconheceu que faltou diálogo com estudantes, pais, profissionais da educação e a comunidade escolar, afirmando que “nada imposto é saudável”.

Apesar da aprovação da moção, o próprio debate em plenário evidenciou que a proposta de instalação do Colégio Tiradentes divide opiniões em Viçosa. Enquanto setores ligados à educação pública criticam a ausência de consultas públicas e defendem a preservação da identidade histórica da escola, boa parte da população viçosense também demonstra apoio à chegada do modelo militar à cidade, principalmente em razão dos índices de disciplina, desempenho e organização frequentemente associados às unidades do Colégio Tiradentes em Minas Gerais.

Na justificativa da moção, os autores argumentam que a transformação da escola foi anunciada sem participação da comunidade escolar, o que, segundo eles, fere os princípios da gestão democrática previstos na Constituição Federal. O texto também ressalta a relevância histórica e social da Escola Estadual Raul de Leoni para Viçosa, apontando a instituição como espaço tradicional de formação cidadã, pluralidade de ideias e educação pública inclusiva.

Outro ponto destacado no documento é a preocupação com a possível perda da autonomia pedagógica da escola e com a descaracterização da identidade construída ao longo de décadas pela comunidade escolar. Os vereadores defendem que os desafios da educação pública sejam enfrentados com investimentos em infraestrutura, valorização dos profissionais da educação e fortalecimento das políticas pedagógicas.

Mesmo diante das críticas apresentadas na moção, vereadores favoráveis ao Colégio Tiradentes ressaltaram durante a sessão que existe uma parcela significativa da sociedade viçosense que vê com bons olhos a chegada da instituição à cidade, entendendo que o modelo militar pode representar uma alternativa de fortalecimento da educação pública estadual no município.