COLUNA | ZÉ CHEQUER
Nos primeiros minutos de 26 de setembro de 1932 - cinquenta e poucas horas após Arthur Bernardes ter seguido preso para o Rio de Janeiro -, D. Anita dá à luz o primogênito José Chequer, e Fuad, como bom libanês, sai às carreiras, todo orgulhoso, para avisar aos patrícios da Viçosa ainda sobressaltada: “É homem e é perfeito!”
Quando voltou teve outra surpresa: havia nascido também o Antônio Chequer!
E ante a preocupação se o segundo filho era também normal, Cesinha, então ponta-esquerda do Atlético não teve dúvida: “É homem e é prefeito.” Zé Chequer? As meninas de então já o achavam lindo...
Cresceu. Cursou o primário, o ginasial, o científico. Fez Engenharia Química nos Estados Unidos. Foi nosso professor de inglês no Colégio de Viçosa, dirigiu o Curtume, tornou-se empresário da construção civil e grande produtor de café.
Além do mais recente - Caminho dos Lagos -, com o mano Elias, construiu o Clube Campestre e o Hospital São João Batista, do qual foi o provedor nos dois primeiros anos e presidiu por quase duas décadas a Fundação Assistencial Viçosense, sua entidade mantenedora.
Empresário preocupado com os problemas da comunidade, Zé Chequer demorou a criar coragem de se candidatar a um cargo eletivo. Só em 1988, com Elias se retraindo, é que ele se animou.
Eleito, Zé Chequer começou a elaborar projetos de lei de maior alcance social, embora desagradando a certa camada da população. E os vereadores apresentando três razões para o Zé assumir os projetos impopulares:
– Primeiro, seu eleitorado é mais esclarecido; depois, você é o mais simpático; por último, não nos consta que você tenha aspirações a voos mais altos...
De popular mesmo - pensava-se - era a dedicação total à construção da nova estação de tratamento de água e da nova adutora. Tanto se dedicou, tanto se dedicou, que se esqueceu de fazer política. Foi derrotado na eleição seguinte. Faltaram-lhe dois votos: o do mano Elias e o do sobrinho Sérgio...
Ostenta o título de primeiro safenado de Viçosa. Na época - 1970 -, São Paulo pegava a laço as cobaias e lá se foi ele. Quando voltou, Bajá passou a chamá-lo de Zé Defunto, tendo feito uma lista dos que primeiro São Pedro chamaria. Zé Chequer encabeçava a lista...
Mas, os “sem educação” - no dizer do terrível gozador - foram furando a fila e, prestes a chegar a sua vez, o próprio Bajá faz de Zé Chequer o portador do seu recado, com outro vaticínio, que está durando:
- Fala com a Augusta que eu mandei pedir desculpas: eu vou na frente. Ela vai ter de te aturar mais uns bons tempos...
ZÉ CHEQUER
Publicado na edição de 2.118 de 02/10/2009

