COLUNA | CRISTÓVÃO E OS MOTORISTAS

Tive o privilégio de conhecer o Cônego Sebastião Inácio de Moura. Foi quando eu era seminarista, prestando serviços no Retiro Espiritual do Clero, que o conheci. Em sua companhia, ainda nos tempos de Seminário, por ocasião das férias, ajudando no novenário e festejos do glorioso Mártir São Sebastião, padroeiro daquela que posteriormente tornara-se a cidade de Sem Peixe, Minas Gerais. Nesta jornada de convivência, em meu primeiro ano de Padre chamei-o para ajudar-nos no Jubileu do Bom Jesus, em Padre Felisberto, popularmente conhecido como Alto Vau Açú, da Paróquia de Amparo do Serra. Por fim, nestes anos aqui em Viçosa, enquanto a saúde lhe permitiu, todos os anos o Cônego Sebastião concelebrava a Missa das Rosas, por ocasião do Jubileu de Santa Rita de Cássia. Encontrá-lo era sempre motivo de alegria. No final de sua vida, ainda lúcio e servindo a Igreja como Reitor do Santuário em Sant’Ana do Deserto, Padre José Cassimiro Sobrinho e eu fomos até lá fazer-lhe uma visita e receber a sua bênção.

Esta recordação que me veio à baila sobre o Cônego Sebastião Inácio de Moura, a bem da verdade, deve-se à citação que faço nesta mensagem sobre o Patrono dos Motoristas. Sábias palavras, vindas de um rico acervo de quem viveu e morreu em odor de santidade. Eis a frase repetida pelo Cônego Sebastião, direcionada ao motorista que estivesse ao volante: “Vamos devagar, porque eu tenho pressa de chegar! ”

O Cônego estava coberto de razão, pois o excesso de velocidade multiplica o risco de acidentes. Aos que me pedem para benzer o seu carro, costumo dizer-lhes: Esta bênção só tem efeito quando é mantida a velocidade compatível com as curvas e condições das estradas por onde fores!

O aumento do número de veículos é consideravelmente alto. Estradas e vias urbanas sobrecarregadas aumentam os índices de violência no trânsito. Em tragédias constantes, muitas vidas se esvaem ou são mutiladas. Uma verdadeira guerra que destrói e cria feridas em tantos corações.

Encontramos em São Cristóvão um lembrete às consciências: o dom da vida é inviolável. Respeitar o próximo, além de preservar sua dignidade, traduz em verdadeira prática do cuidado com a obra de Deus. A responsável prudência ao volante é um ato de solidariedade, capaz de proteger o ser humano em face aos riscos apresentados pelos veículos que se transformam em verdadeiras armas à mercê da atuação de seus condutores. Indo ou vindo, longe ou perto, os cuidados e obediência às normas de segurança são fundamentais.

A biografia do patrono dos motoristas é marcada por muitas lendas. Todas têm a finalidade de realçar seu altruísmo, através de elevados gestos de amor ao próximo. De fato, ele viveu o significado de seu nome, Cristóvão, portador de Cristo. Seu culto remonta ao século V.

Nascido em ambiente pagão, ao converter-se, dizia que somente serviria o soberano mais poderoso, o Rei dos reis. Para isto, seguiu o caminho da oração e meditação da Palavra de Deus, abraçando com dedicação a penitência. Assumiu como bandeira o serviço ao próximo pela caridade.

Foi através de seu espírito de serviço que usou sua altura e fortaleza para atravessar pessoas de uma margem a outra do rio. Certa feita, ao tomar nos ombros um leve menino, este começou a pesar tanto que o gigante de Deus precisou apoiar-se num cajado para atravessá- lo, quando ouviu do menino: "Muito mais que o mundo inteiro: tu carregaste O Senhor do Mundo. Sou Jesus a quem tu serves". Transportamos o próprio Cristo que se abriga em nossas vidas. Devemos nos ater ao seu exemplo de solidariedade, como fórmula para a construção de um mundo de paz.

Cristóvão, que caminhou como gigante nos caminhos da virtude, testemunhando com o próprio sangue seu batismo, há de nos livrar de todos os perigos e acidentes nas viagens que empreendemos nas estradas desta existência, até chegar o momento da última e definitiva viagem que faremos até a Casa do Pai.

Certa feita, ao concluir a construção da Igreja de São Cristóvão, no bairro que leva o seu nome, em Barbacena, alguém soprou em meus ouvidos dizendo: “Por que o senhor não compõe uma Novena de São Cristóvão”.

Gostei da ideia e atendi a sugestão. Aqui está ela: - Salve Cristóvão, portador do Cristo, que o Teu exemplo nos leve a cultivar o verdadeiro espírito de santidade em nossas vidas! R/ - Eu vim para que todos tenham vida, que todos tenham vida plenamente; - Salve Cristóvão, que caminhaste como gigante nos caminhos da virtude, ao ponto de testemunhar com o próprio sangue Teu Batismo, livra-nos de todos os perigos e acidentes, nas viagens que empreendemos nas estradas desta vida! R/ - Eu vim para que todos tenham vida... - Ó glorioso mártir, São Cristóvão, intercede a Cristo para que sejamos fiéis durante toda a nossa existência, até chegar o momento de nossa viagem em direção à Casa do Pai.

R/ Oremos: Ó Deus Todo- -Poderoso, criador do céu e da terra, que em Vossa multiforme sabedoria confiastes ao ser humano a realização de grandes e belas coisas, concedei que todos os motoristas percorram com cautela o seu caminho e preservem a segurança da vida dos outros, indo ao trabalho ou ao descanso, tenham sempre como companheiro de viagem o próprio Jesus que afirmou: “Eu sou o Caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).

Nós vos pedimos pelo mesmo nosso Senhor Jesus Cristo que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Por todos os séculos dos séculos. Amém! Que todos percorram com cautela seu caminho e preservem a segurança. Indo ao trabalho ou ao descanso, tendo sempre como companheiro de viagem o próprio Jesus que afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). É assim que celebramos numa mesma data, 25 de julho,

São CRISTÓVÃO E OS MOTORISTAS!

Matéria publicada na edição 3629 do jornal Folha da Mata - 23/07/2026. Se você quer ver com exclusividade, fique sempre de olho na banca mais próxima da sua região!