Professor da UFV é um dos 17 brasileiros mais citados no mundo em pesquisa científica

Pesquisa da Clarivate revela: Professor da UFV Francisco Murilo Zerbini está entre os 17 cientistas mais citados do Brasil, destacando-se em Microbiologia.

Professor da UFV é um dos 17 brasileiros mais citados no mundo em pesquisa científica
Zerbini atua na pesquisa do geminivírus - Foto: divulgação/UFV

O professor Francisco Murilo Zerbini Júnior, do Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), figura entre os 17 cientistas brasileiros mais citados no mundo, segundo a Plataforma Clarivate, empresa norte-americana referência em métricas e análises acadêmicas. A lista, divulgada neste mês e referente ao período de 2014 a 2024, reúne pesquisadores que se destacam globalmente em áreas como agronomia, biologia, ciência da computação, engenharia, física, medicina, matemática e psicologia.

O ranking é elaborado exclusivamente a partir de citações bibliográficas de artigos que atendem aos critérios dos Indicadores Essenciais Científicos (ESI), sendo obrigatoriamente publicados em periódicos indexados na Web of Science e com elevado impacto bibliométrico.

Desde o início de sua trajetória acadêmica na UFV, Murilo Zerbini — que também atua como assessor especial da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação — dedica-se ao estudo dos geminivírus, grupo de vírus que infecta plantas de grande relevância econômica. Ele lembra que, à época em que iniciou suas pesquisas, um novo inseto vetor havia sido introduzido no Brasil, favorecendo o surgimento desses vírus em diferentes estados.

Presente no ranking da Clarivate na área de Microbiologia desde 2021, Zerbini ressalta que muitos pesquisadores realizam trabalhos excelentes, mas em nichos altamente específicos, o que naturalmente reduz o volume de citações. “Trabalhos mais aplicados também tendem a receber menos citações do que pesquisas básicas, como as de taxonomia. Minha maior satisfação de estar nesta lista é divulgar o nome da UFV, uma universidade ainda pouco conhecida fora das ciências agrárias”, destaca.

Apesar do reconhecimento, o professor lamenta o número reduzido de pesquisadores brasileiros no ranking mundial. “A lista completa tem 7.131 pessoas. A Coreia do Sul tem 76 pesquisadores, e a Bélgica, com apenas 11 milhões de habitantes, tem 81. Sabemos que existe um ‘citation bias’ — se grupos brasileiros, belgas ou coreanos publicam artigos equivalentes, o brasileiro tende a receber menos citações. Mas só isso não explica a discrepância”, analisa.

Zerbini reforça que as dificuldades estruturais enfrentadas por pesquisadores no Brasil e na América Latina tornam ainda mais desafiador alcançar reconhecimento internacional. “Diante de tantos obstáculos, é até surpreendente que tenhamos 17 brasileiros nessa lista”, conclui.