Criança com condição rara de saúde é submetida a cirurgia ortopédica

Atraso da cirurgia se deu por falta de vagas no CTI, para onde precisou ser levado após a intervenção.

Jul 14, 2026 - 21:21
Jul 14, 2026 - 21:30
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Criança com condição rara de saúde é submetida a cirurgia ortopédica
Miguel e enfermeiras no Hospital São Sebastião. Alan Souza/tio de Miguel/divulgação

Miguel da Silva Souza, criança paulacandidense de 13 anos que aguardava cirurgia no Hospital São Sebastião, em Viçosa, entrou na tarde desta terça-feira, 14, na sala para operar a fratura no fêmur, osso localizado próximo à coxa.

Esperando há sete dias, se não fosse levado ao centro cirúrgico até hoje, ele poderia sofrer previamente problemas sérios de mobilidade. Isso porque Miguel é diagnosticado, desde os 3 anos, com a rara Distrofia Muscular de Duchenne, doença que causa uma degeneração dos músculos ao longo do tempo. 

De acordo com o Ministério da Saúde, pessoas nestas condições podem apenas aguardar intervenções de alta intensidade por sete dias. Caso contrário, o paciente pode chegar a perder a movimentação total da parte fraturada.

Segundo informações repassadas ao Folha da Mata, o menino ingressou ao pronto atendimento do hospital no dia 7 de julho após tropeçar e fraturar o osso na escola. Ele foi atendido e logo levado à Pediatria, onde ficou sob observação até quinta-feira, 9, data em que os médicos responsáveis marcaram a cirurgia.

No entanto, devido à complexidade do caso, a equipe constatou a necessidade de o pós-operatório ser feito no Centro de Terapia Intensiva (CTI) para o monitoramento e cuidados médicos contínuos. Mas, no dia marcado para a intervenção, este setor estava superlotado e sem disponibilidade de leitos.

Com isso, e aliada a uma estratificação de alto risco, verificada pelo cardiologista, os médicos decidiram adiar a cirurgia até a disponibilidade de uma vaga no CTI.

Com o objetivo de encontrar uma CTI disponível, os familiares tentaram transferir o menino via Core (Central de Operações para Regulação Estadual). Entretanto, todas as solicitações foram recusadas pelos hospitais de Belo Horizonte, Juiz de Fora e Ponte Nova. A justificativa foi de que todos os leitos também estavam superlotados.

O caso repercutiu em toda a região, comovendo diversas pessoas nas redes sociais que procuraram formas de Miguel realizar a cirurgia quanto antes. Ainda que tenha tido comoção da população, a intervenção cirúrgica já estava agendada pelo hospital, que apenas esperava a disponibilidade de um leito no CTI, que ocorreu na terça-feira, 14, quando Miguel foi operado pelos médicos Leonardo Condé e Egídio Júnior.

Ronaldo Scanavini Formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), atua na equipe do Folha da Mata desde 2024. É editor-chefe do blog e das edições diárias. Também produz matérias para a edição impressa.