Como os protetores solares funcionam
Como a radiação ultravioleta interage com a pele e de que forma a química dos protetores solares reduz seus danos
Em artigo anterior tratei do significado do fator de proteção solar (FPS). Mas como essa proteção ocorre na prática? Antes de falar sobre a composição química dos protetores solares, é importante explicar um pouco sobre a natureza das radiações eletromagnéticas.
Uma característica importante da radiação eletromagnética é o que chamamos de comprimento de onda. Como não enxergamos as ondas desse tipo de radiação, para facilitar o entendimento do que vou dizer, podemos fazer uma analogia com as ondas que observamos quando uma pedra é jogada em um lago de águas paradas. Ao tocar a superfície da água, a pedra cria ondas circulares que se propagam, sendo que a distância entre dois máximos de dois círculos — denominados cristas — é o que se conhece como comprimento de onda.
As radiações eletromagnéticas são caracterizadas pelos comprimentos de onda, que variam de vários metros — como nas ondas de rádio — até valores muito pequenos, como os raios X, com comprimento de onda da ordem de 0,01 a 10 nm (nm: nanômetros — 1 nm corresponde a 10⁻⁹ metros). Dessa ampla gama de radiações eletromagnéticas, nossos olhos conseguem detectar apenas uma fração muito pequena, correspondente à radiação na faixa do visível, com comprimentos de onda aproximadamente entre 400 nm (violeta) e 750 nm (vermelho). A radiação com comprimento de onda na faixa de 100 a 400 nm é denominada ultravioleta. Essa radiação não é detectada pelos nossos olhos.
Cada tipo de radiação tem uma certa quantidade de energia, e essa energia está relacionada ao comprimento de onda: quanto menor o comprimento de onda, maior a energia da radiação. Por isso, a radiação ultravioleta, que tem ondas muito curtas, possui muita energia. Essa energia é forte o suficiente para quebrar ligações químicas nas substâncias constituintes da nossa pele, o que gera espécies químicas altamente reativas chamadas radicais — conhecidas popularmente como radicais livres. Esses radicais, por serem muito reativos, podem causar inflamações e diversos problemas na pele, incluindo o câncer.
A radiação ultravioleta é subdividida em faixas conhecidas como UVA, UVB e UVC. O UVA corresponde à radiação de 315 a 400 nm, sendo a menos energética. Essa radiação penetra profundamente na pele, sendo associada ao envelhecimento e podendo contribuir para o desenvolvimento do câncer de pele. A UVB corresponde à faixa de 280 a 315 nm, portanto mais energética que a UVA. Essa radiação é a principal responsável por queimaduras solares e é fortemente associada ao câncer de pele. A faixa de 100 a 280 nm é conhecida como UVC, sendo a mais energética e, portanto, a mais perigosa. Para o nosso bem, a natureza, em sua perfeição, faz com que a camada de ozônio (fórmula química O₃) absorva essa radiação, impedindo que ela chegue à superfície da Terra.
Devido aos efeitos nocivos das radiações UVA e UVB, o uso de protetores solares é fundamental para proteger a pele. Os protetores são formulados com ingredientes que atuam de duas maneiras principais: bloqueando ou absorvendo a radiação UV.
Os bloqueadores físicos, como o dióxido de titânio (TiO₂) e o óxido de zinco (ZnO), criam uma barreira na pele que reflete e dispersa parte da radiação ultravioleta, impedindo que ela penetre. Esses minerais são indicados especialmente para peles sensíveis, pois causam menos irritação.
Já os absorvedores químicos são compostos orgânicos que capturam a radiação UV e transformam sua energia em calor, que é dissipado pela pele. Eles são desenvolvidos para proteger diferentes faixas do espectro UV, garantindo proteção tanto contra UVA quanto contra UVB.
Hoje, os protetores solares combinam esses dois tipos de ingredientes para proporcionar uma proteção mais ampla e eficiente, ao mesmo tempo em que melhoram a textura e a sensação do produto na pele.
Compreender como a radiação ultravioleta atua e como os protetores funcionam é essencial para fazer escolhas conscientes e proteger sua pele de forma eficaz.
Para saber mais sobre protetor solar: [AQUI]
Luiz Cláudio de Almeida Barbosa
Professor titular de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
06 de março de 2026



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