Dois moradores de Viçosa entre os envolvidos na operação Dublê

Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na manhã de desta quinta-feira, 26; fraudes envolvem o nome das Lojas Havan

Dois moradores de Viçosa entre os envolvidos na operação Dublê
Polícia Civil cumpriu mandatos de busca e apreensão no Clélia Bernardes e SilvestreFoto: Divulgação/PCMG

A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Defraudações da DEIC, deflagrou nesta quinta-feira, 26, a Operação Dublê. A ação, que contou com o apoio das Polícias Civis de São Paulo, Paraná e da 5ª Delegacia de Polícia Regional de Viçosa, visou desmantelar uma organização criminosa especializada em fraudes e lavagem de dinheiro, sendo cumprido nesta manhã, 10 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Valinhos e Caraguatatuba (SP); Ponta Grossa (PR) e Viçosa (MG).

As investigações tiveram início após a identificação de abertura fraudulenta de conta bancária em nome da renomada empresa catarinense HAVAN S.A., junto a uma plataforma de pagamentos, mediante uso indevido de seus dados empresariais, sem a autorização dos representantes legais.

No dia 14 de agosto do ano passado, a conta fraudulenta recebeu aproximadamente R$ 576 mil, no período de 24 horas, provenientes de vítimas de golpes aplicados em diversos estados do país. Após o recebimento, os valores foram rapidamente transferidos para contas vinculadas ao grupo criminoso, sendo pulverizados por meio de diversas transações com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos.

As análises financeiras identificaram a utilização de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro, tais como, fragmentação de valores, transferências sucessivas entre contas de interpostas pessoas, repasses imediatos de valores idênticos (pratica conhecida por mirroring), utilização de empresas para dissimulação da origem dos recursos e dispersão sistemática de valores entre diversos envolvidos.

Foram identificados sete suspeitos diretamente envolvidos na movimentação e ocultação dos valores, os quais atuavam de forma estruturada visando à obtenção de vantagem ilícita e a posterior integração dos recursos ao sistema financeiro formal.

As medidas cautelares cumpridas nesta quinta-feira tiveram por finalidade a coleta de elementos probatórios adicionais, especialmente dispositivos eletrônicos, documentos e outros materiais que possam contribuir para a completa elucidação dos fatos e identificação de eventuais outros envolvidos.

Em Viçosa, os mandados foram cumpridos em um imóvel da avenida Olívia de Castro Almeida, no bairro Clélia Bernardes, e em outro, na rua José Inácio Vargas, no distrito de Silvestre.

Ambos os endereços estão vinculados a um investigado apontado como responsável pela programação de sistemas utilizados para pulverização de valores provenientes dos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Durante a ação, foram apreendidos materiais que serão analisados no curso das investigações.

A polícia ainda não revelou os nomes dos envolvidos.

"A atuação integrada das polícias civis dos estados é fundamental para o enfrentamento qualificado de crimes cibernéticos e financeiros, especialmente aqueles praticados por organizações estruturadas, que operam de forma interestadual", destacou o delegado responsável pelas ações em Minas Gerais, José Donizetti.

As investigações prosseguem, podendo resultar na responsabilização dos envolvidos pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, entre outros eventualmente apurados