Antes e depois do Município de Viçosa. Imagem de cima, o "antes", foi gerada através de Inteligência Artificial.
Viçosa alcançou a sua emancipação político-administrativa em 30 de setembro de 1871, há exatamente 155 anos. Mas nem sempre foi assim.
Quando os colonizadores chegaram no Brasil acharam que os povos originários eram coisas da terra a serem exploradas, assim como o pau brasil, o ouro, o diamante e outras tantas riquezas. Daí, começou a exploração humana para os lados de cá do Atlântico.
Viçosa veio bem depois. Tudo a partir de onde começa a história do branco que está nos livros e nos anais (explicando o “anais”: arquivos, histórias, crônicas, memórias).
Imagino quando Viçosa era apenas uma viçosa paisagem da magnífica, selvagem e inexplorável Mata Atlântica. Mas, havia gente há bastante tempo. Uma turma que já morava por estas bandas antes dos invasores dos 1500, digo, colonizadores. Turma sábia, os originários utilizavam os recursos da natureza com muita maestria e responsabilidade. Madeira, só para a base seus abrigos, lenhas para aquecer e iluminar a noite e outras necessidades imediatas.
Se a preguiça batia, havia água limpa - apesar de turva - no rio para se banhar. Era bonito ver o rio serpenteando por entre as matas, levando vida a outros Puris que habitavam a redondeza. Tinha muito peixe também.
Quando deixava um pouco o seu roçado e saia para caçar nas partes mais altas da floresta – havia caça em profusão - do alto, o Puri, como denominado o nosso nativo de fato, contemplava com satisfação a imensidão natural e toda a maravilha que a natureza lhe ofertava e exclamava: “obrigado terra por me acolher com tanta generosidade...tanta fartura”.
Era verdade, nada lhe faltava, ao contrário, havia sortimento de sobra para ele, sua família, toda a tribo e quem mais chegasse. Remédio? Conhecia as ervas que curavam todas os destemperos do corpo e as mazelas da alma. Herança dos ancestrais. A cura se completava com rezas e outras práticas espirituais.
À noite, antes de dormir, ele e os outros e outras se reuniam cantavam e dançavam em volta de uma fogueira que aquecia e alumiava o terreiro. Depois, enquanto contemplava o céu, a lua e as estrelas, o sono chegava e o Puri sonhava, os sonhos mais belos. Sonhos que também eram sonhados em noites de chuva.
E assim viviam todos os seus dias e noites de índio, os Puris. Até que um dia, do seu ponto de observação, viu a chegada do homem branco: a estranheza, a dúvida, e a aceitação passiva.
"...Não se conhecia fato algum de um Puri que haja matado um branco.
Quando os brancos se embrenhavam na mata para colher a planta medicinal poaia, ao encontrarem os Puris estes se punham a correr arriscando-se furtivamente a apanharem para seus usos as ferramentas dos brancos. O próprio nome Puri significava na língua deles gente mansa ou tímida", falou Cláudio Moreira Bento, um historiador:
-branco?
- com certeza!
Foi assim mesmo, na mansidão. O branco arrancava a poaia e o índio acaçapava a ferramenta. Quem quiser saber o que é poaia é só ir no google, ou no Aurélio (existe, viu!), ou num fitoterapeuta ou numa benzedeira tradicional, ou...deixa pra lá!
Depois, chegou o momento em que o branco não se contentou com a poaia e se apossou da terra e da história que conhecemos...virou dono. Um dia, ele, o branco, subiu a colina e, daquele mesmo local onde o índio agradeceu, exclamou: “Toda a vastidão destas terras, até onde a vista alcança, me pertence”.
- Para os Puris, o dono da terra era Deus!



