Ano de 2026 segue sem registrar deflação em Viçosa
Dos últimos 12 meses, o município apresentou baixa nos preços em apenas três oportunidades
O Índice de Preços ao Consumidor de Viçosa (IPC-Viçosa), calculado pelo Departamento de Economia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), registrou inflação de 0,71% em junho de 2026, mantendo a sequência de alta dos preços em todos os meses do primeiro semestre do ano. O resultado ficou acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, que foi de 0,41% no mesmo período.
Embora a inflação venha desacelerando desde abril, quando atingiu o maior índice do ano (1,63%), os preços seguem em trajetória de alta no município.
Os produtos que compõem a cesta básica também registraram aumento em junho. O custo da cesta subiu 2,07%, a sexta alta consecutiva em 2026. Apesar da elevação, o índice foi inferior ao registrado em maio, quando a cesta apresentou alta de 6,28%, a maior do ano até o momento.
Entre os produtos que mais pressionaram a inflação em junho estão o tomate, com alta de 9,88%, e o pão francês, que ficou 7,91% mais caro. Segundo o levantamento, o aumento do preço do tomate é consequência das fortes chuvas, do calor excessivo e do avanço de doenças nas lavouras, fatores que reduziram a oferta do produto. Já a alta do pão francês é explicada pela menor safra de trigo no Brasil e pela valorização do dólar, que encarece a importação da matéria-prima, além do aumento recente nos custos da energia elétrica e do diesel.
Dos sete grupos que compõem o IPC- -Viçosa, seis apresentaram variação positiva em junho. O maior avanço foi observado em Vestuário (5,55%), seguido por Alimentação (0,91%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,83%), Habitação (0,31%), Educação e Despesas Pessoais (0,14%) e Artigos de Residência (0,07%). Apenas o grupo Transporte e Comunicação (-0,29%) registrou queda nos preços.
No grupo Vestuário, o Departamento de Economia da UFV aponta que o conflito entre Estados Unidos e Irã pode começar a refletir nos preços, uma vez que parte significativa da indústria têxtil utiliza derivados do petróleo, como poliéster e nylon. O aumento do preço do barril eleva o custo dessas matérias-primas, enquanto mudanças nas rotas marítimas, provocadas pelo cenário internacional, também encarecem o transporte de mercadorias. O estudo ressalta, ainda, que houve alteração nos fornecedores pesquisados para esse grupo em junho, fator que também pode ter contribuído para a alta observada.
Já no grupo Alimentação, que possui o maior peso na composição do índice, a inflação continua sendo impulsionada pela menor oferta de produtos como feijão, cebola e tomate, pressionando os preços ao consumidor.
Em valores absolutos, a cesta básica passou a custar R$ 670,91 em junho, R$ 13,62 a mais do que em maio, quando o valor era de R$ 657,29. Com isso, um trabalhador viçosense que recebeu um salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou destinar 41,39% da renda para adquirir os produtos que compõem a cesta básica de alimentação.


