COLUNA | CINQUENT´ANOS

Éramos o Colégio de Viçosa na segunda metade dos anos cinquenta, respirando ainda o Cônego Modesto Paiva que, na primeira metade da década, construíra o novo templo de Santa Rita, depois elevado a Santuário.

Respirando Juscelino Kubits chek que, à época, construía Brasília, cujo Plano Piloto é hoje patrimônio cultural da humanidade. E éramos o Colégio de Viçosa do quadrunvirato - Dr. Januário, “Seu” Pedrinho, Lopes, Zé Henrique - que mantinham em alto nível o ensino numa instituição particular, constituída por acio nistas. Que - ainda bem - não visavam a lucros financeiros...

E embora apenas ginasianos - reconheça-se: reforçados por alguns do científico e do curso de contabilidade -, vivíamos a experiência de que, havendo líderes ousados - assim como JK a nível nacional e o Cônego a nível local -, poderíamos já fazer alguma coisa que projetasse, pelo menos para a região, o nosso pequeno mundo, no caso o Colégio de Viçosa.

E foi a época de brilho das inúmeras atividades extra-classe: jornal, grêmio, teatro, futebol, vôlei, eleições e bailes de rainha, organização da União dos Estudantes Secundaristas de Viço sa, que abrangia também a Escola Normal e o Agro-Técnico da UREMG e até sediamos um Congresso Estadual dos Estudantes Secundaristas de Minas Gerais.

Esses meninos da segunda metade dos anos cinqüenta se transformaram em empresários, executivos, médicos, advogados, professores, pesquisadores, sei-lá-mais-o-quê e agora pegaram a mania de se reunirem no Viçosa Clube, a cada ano, à noite, no sábado que antecede o Dia da Cidade para... Não! Não para falarem de si mesmos, mas para relembrarem os bons tempos de ginasianos. É o que faremos neste fim de semana quando - é apenas um detalhe - minha turma faz cinquent´anos de conclusão do curso ginasial.

E haverá alguém repetindo Dr. Januário declamando Le Lac, de Lamartine: “O temps, suspends ton vol! Et vous, heures propices, / Suspendez votre cours! / Laissez-nous savourer les rapides dé lices / Des plus beaux de nos jours!” Ou mostrando “Seu” Pedrinho, nas Termópilas, vendo o men sageiro de Xerxes dizer a Leônidas:

“Nossas flechas serão tão numerosas, que cobriremos a luz do Sol!” E o espartano, falando pouco e dizendo muito: “Tanto melhor, combateremos à sombra!” Ou ainda recordando Lopes: “Que é? Um felino, faz miau, pega ratos...” E Nórton, esfregando as mãos: “Ratoeira!” Ah! O Professor Zé Henrique estará lá como testemunha ocular da história...

CINQUENT´ANOS

Publicado na edição de 2117 de 25/09/2009