Sindicatos de funcionários dos Correios aderem à greve por tempo indeterminado
Decisão foi tomada na noite de quinta-feira, 10
Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado. Em Minas Gerais, a paralisação começou às 22 horas de quinta-feira, 10, considerando que a empresa possui setores que funcionam durante o período noturno.
Em Viçosa, ainda não há informações sobre o número de trabalhadores que aderiram ao movimento, que fica a cargo do trabalhador. Segundo a comunicação do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Minas Gerais (Sintect-MG), responsável pela representação da categoria no estado, ainda não foi possível realizar um levantamento específico sobre a adesão nas unidades do município. Por isso, o funcionamento das unidades pode variar de acordo com o número de funcionários que participarem da paralisação.
A greve foi aprovada nas assembleias realizadas na noite de quinta-feira, após as negociações da Campanha Salarial terminarem sem acordo. De acordo com a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), um dos principais pontos de divergência nas negociações envolve o plano de saúde dos funcionários.
Funcionamento em Viçosa
A reportagem do Folha da Mata procurou os Correios para saber como será o funcionamento das agências de Viçosa nos próximos dias e quais serviços poderão ser afetados pela paralisação. Até a publicação desta matéria, a empresa não havia respondido.
Também ainda não há um levantamento do Sintect-MG sobre o número de funcionários das unidades de Viçosa que aderiram à greve.
Em âmbito nacional, os Correios informaram que adotaram um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os possíveis impactos da paralisação. Entre as medidas anunciadas estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e ações logísticas.
Confira a nota do Sintect-MG
"O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios e Telégrafos e Similares de Minas Gerais (Sintect-MG) informa à imprensa e à sociedade que, em assembleia geral realizada na noite desta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios da base territorial do Sintect-MG em Minas Gerais aprovaram, por unanimidade, a greve por tempo indeterminado.
A decisão é uma resposta à proposta apresentada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos na reunião de conciliação realizada na última semana no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Em vez de avançar na valorização da categoria, a empresa propôs a retirada de direitos históricos conquistados ao longo de décadas de luta.
Entre os principais ataques contidos na proposta estão:
• a retirada da gratificação de férias de 70%;
• a retirada da remuneração de 200% pelo trabalho realizado em dias de repouso;
• a decisão de a empresa deixar de ser mantenedora do plano de saúde, transferindo aos trabalhadores o custeio do benefício. Este é o ponto mais grave da proposta, pois obrigaria a categoria a arcar sozinha com o plano de saúde;
• e a retirada do TICKET extra pago ao final do ano, cláusula histórica conquistada pelos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios.
Para a categoria, não há negociação possível com uma proposta que transfere custos aos trabalhadores e desmonta direitos consolidados.
A greve é uma resposta legítima, coletiva e consciente à tentativa de impor retrocessos nas condições de trabalho e de vida de quem sustenta diariamente o serviço postal público brasileiro.
O Sintect-MG reafirma que a responsabilidade pelo movimento é da direção da empresa, que levou à mesa de negociação uma proposta de retirada de direitos.
Os trabalhadores e trabalhadoras seguem firmes, unidos e mobilizados, em defesa do plano de saúde, das cláusulas históricas da categoria, dos Correios públicos e da dignidade de quem presta esse serviço essencial à população.
Sem direitos não há acordo.
Sem respeito não há trabalho.
A luta continua!"
Caixa Econômica Federal
A greve dos Correios ocorre na mesma semana em que empregados da Caixa Econômica Federal também iniciaram uma paralisação por tempo indeterminado. Em Viçosa, os serviços de atendimento realizados dentro da agência da Caixa, localizada na Praça Silviano Brandão, estão suspensos, enquanto os caixas eletrônicos permanecem disponíveis.
Assim como nos Correios, a paralisação da Caixa está relacionada às negociações da Campanha Salarial, que terminaram sem acordo. No caso da instituição financeira, os empregados rejeitaram a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que reúne regras e condições de trabalho negociadas entre a empresa e os representantes dos funcionários.
Na assembleia realizada no começo de agosto, 93,5% dos trabalhadores da Caixa rejeitaram a proposta apresentada pelo banco. A greve foi aprovada por 68,2% dos votos, enquanto 28,5% defenderam a retomada das negociações sem paralisação.
Segundo o Sindicato dos Bancários de Ponte Nova, responsável pela representação da agência da Caixa em Viçosa, a unidade aderiu ao movimento nacional. A entidade afirma que, entre as reivindicações dos funcionários, está a discussão sobre o plano de saúde.
Nos dois casos, portanto, as paralisações ocorreram após o encerramento das negociações salariais sem acordo, tendo o plano de saúde entre os pontos de divergência apresentados pelas entidades que representam os trabalhadores.
A equipe de jornalismo do Folha da Mata segue acompanhando a greve dos Correios e apurando informações sobre o funcionamento das unidades em Viçosa e os possíveis impactos dos serviços para a população.


