PM da Reserva que esfaqueou familiares teria chegado alcoolizado em casa
Depoimentos à polícia mostram duas versões do mesmo fato. Esposa diz que filho teria feito um corte sem intenção no pai após agressões físicas e verbais, depois do PM ter chegado alcoolizado em casa
O Folha da Mata obteve, por meio de apuração exclusiva do jornalista Flávio du Valle, da Rádio Mega Hits, novos capítulos sobre o caso do Policial Militar da Reserva acusado de esfaquear a esposa e os sogros em Guiricema. O caso aconteceu neste sábado, 5.
Segundo as informações, uma equipe policial foi acionada via 190 pela esposa do PM por volta das 14h15, quando ele, diz a mulher, chegou alcoolizado e iniciou uma discussão com o filho mais velho do casal.
VERSÃO DA MÃE E DO FILHO
A mulher afirmou à polícia que seu marido teria provocado o filho a partir de ofensas verbais. Ela disse que o menor, para evitar o prolongamento da discussão, decidiu subir para o terraço da casa.
No entanto, a denúncia diz que o PM da Reserva seguiu o filho até o último andar do imóvel e começou a agredi-lo verbal e fisicamente, proferindo palavras como "bosta" e "fraco", além de incitar o filho com a frase "não aguentava um soco meu".
De acordo com informações da mulher repassadas à polícia, a briga se intensificou e o PM agarrou o menor pelo pescoço, na tentativa de enforcá-lo, mas sem sucesso, com o menor conseguindo se desvencilhar.
Pouco tempo depois, entretanto, ao descer as escadas, o filho foi agarrado subitamente pelo pai, sendo novamente enforcado e sofrendo outros xingamentos.
A mulher tentou impedir a situação, mas foi agredida fisicamente e sofreu mais xingamentos do PM, como "vagabunda" ou que "não prestava", enquanto ele forçava a mãe e o filho a permanecerem na escada, sem possibilidade de desvencilhamento.
Após tentativas constantes, ambos conseguiram fugir das agressões do PM, apesar de, entre as evasões, o filho ter sido enforcado e agarrado diversas vezes. No andar inferior, a esposa pegou rapidamente o seu telefone para acionar a polícia, mas o homem tomou o aparelho à força e colocou em seu bolso.
A mulher insistiu pela devolução do celular e solicitou pela saída do PM da residência, mas sem sucesso, com o homem continuando as agressões. Foi então que a esposa disse que segurou o PM pela camisa para tentar retomar a posse do aparelho, sendo logo imobilizada pelo marido, que a empurrou na pia da cozinha e a segurou pelo braço, enquanto voltava a agarrar o filho pelo pescoço.
Em um momento de raiva e na procura por defesa pessoal, a mulher do PM disse que seu filho pegou uma faca de cozinha próxima à pia e desafiou o PM, recebendo a resposta: "vem pra cima se for homem".
Ao evadir-se do braço do pai, o menor de forma não propositalmente realizou um corte na região do braço do PM, que se afastou, enfureceu-se e logo colocou a culpa do filho pela lesão. Na procura por ajuda, o menor conseguiu contatar via telefone sua tia, que se deslocou imediatamente à residência.
De acordo com a denúncia da tia, ao chegar no local, ela viu o PM na cozinha e manchas de sangue pelo chão. A mulher, então, providenciou uma toalha para conter o sangramento. No depoimento, a tia ainda disse que o homem fugiu do local após o acontecido.
VERSÃO DO PM
Com as informações cedidas pela mãe, tia e menor de idade, a polícia iniciou o rastreamento e encontrou o autor no Hospital São João Batista em Visconde do Rio Branco, onde recebia atendimento médido.
No local, foi dada a voz de prisão em flagrante delito pelos crimes de Lei Maria da Penha e Lesão Corporal. O PM da Reserva, no entanto, cedeu sua versão aos policiais.
Ele disse que, depois de sair alcoolizado da casa de um amigo e chegar em casa, o pai e o filho teriam subido no terraço para iniciar uma conversa.
O PM relata que, no momento, o menor teria ficado irritado e impedido a descida do pai com violência. Logo depois, a mãe teria subido ao local e, a partir dali, o seu filho teria iniciado agressões verbais como "bêbado", "sem-vergonha" e "inútil", além de dizer que o odiava e questionar o motivo pelo qual a sua mãe ainda permanecia casada com ele.
O pai ressaltou, no depoimento, que não teria reeprendido o menor naquele momento, apenas tentado sair do contexto após tentar dar continuidade à conversa, mesmo após um ter recebido um soco no rosto.
Mas ele diz que seu filho se deslocou à cozinha e pegou uma faca. Em seguida, teria o esfaqueado.
Em posse dos detalhes, a polícia encaminhou a mãe e o filho à Unidade de Saúde de Guiricema para a realização do exame corporal.
OUTROS ENVOLVIDOS
Apesar do que foi falado à polícia, estão sendo apuradas outras informações de que mais indivíduos, como os sogros do PM da Reserva, teriam participado da briga, inclusive com esfaqueamento realizado pelo homem contra mais vítimas.



