Após 20 anos, piranguense é reconhecido por sua expressão artística

Morador da Vila do Carmo, Jorge Lopes dedicou quase metade de sua vida pela arte, expressão e o reconhecimento da luta da população negra

Após 20 anos, piranguense é reconhecido por sua expressão artística

Ao chão, uma arte enorme, feita à mão, que parece ter levado muito tempo para produzir. Uma espécie de tapete, que referenciava o momento de fé e comunhão do Corpus Christi: a exata hora do levantar a hóstia eucarística, consagrando-a no Corpo de Jesus Cristo.

Quem passava à frente da Igreja, antes de a missa oficial começar, com certeza estranhava - ou, pelo menos se interessava - por um enorme tapete aos pés da escadaria tradicional do local. Sob cores amarronzadas e um branco vívido, a arte simbolizava muito mais do que uma simples hóstia, mas o reconhecimento de duas décadas de puro esforço, luta e busca pela valorização de sua própria arte. Arte essa que levava consigo ainda mais força ao sempre se remeter à cultura negra, que tenta encontrar espaço nas categorias populares artísticas há séculos. 

O autor do feito tem nome, endereço e idade. Aos 44 anos, Jorge Lopes sente-se realizado por finalmente ver seu trabalho de ponta valorizado; ainda mais em sua cidade natal: Piranga. Da microrregião de Viçosa, a cidade mineira cedeu espaço para as artes de Jorge, que foram protagonistas durante a Missa de Corpus Christi, realizada no dia 4 de junho, nas ruas perpassadas pela tradicional procissão do Santíssimo Sacramento até a igreja da área.

Após a elaboração dos projetos, o preenchimento das imagens foi realizado com a colaboração de amigos e voluntários da comunidade.

Autodidata, o morador da Vila do Carmo diz utilizar a arte como instrumento de valorização da cultura negra e visa expressar sua identidade através dos seus desenhos.  

 “Minha arte é a minha voz. É a forma que encontrei de mostrar a riqueza da cultura negra e a necessidade de valorização e reconhecimento dessa história”, afirma o artista.

Jorge conta que a arte pode ser uma importante ferramenta para a transformação social. Por isso, ele foca em celebrar sua convicção religiosa e expressar a necessidade de valorização da cultura negra, abrindo espaço para a diversidade cultural.

O artista conta, ainda, que seus trabalhos buscam unir fé e arte para manifestar religiosamente sua luta.