Reclamações sobre atendimento e gestão do Complexo Hospitalar repercutem na Câmara

Famílias relatam problemas na assistência em unidades do complexo, enquanto vereadores cobram investigação e esclarecimentos sobre a gestão dos hospitais

Reclamações sobre atendimento e gestão do Complexo Hospitalar repercutem na Câmara
Giusseppe Gianini sobrinho de José Bering Cardoso Filho, conhecido como “Ferrugem”, que morreu no dia 12 de julho deste ano após ser atendido no Hospital São Sebastião, compareceu à tribuna livre

Reclamações relacionadas ao atendimento e à gestão do Complexo Hospitalar de Viçosa foram apresentadas na Câmara Municipal na última reunião ordinária, na segunda-feira, 17. Os relatos envolvem possíveis falhas na assistência prestada a pacientes nas unidades São Sebastião/Centro e São João Batista/Nova Era e motivaram cobranças por investigação e esclarecimentos.

O caso levado ao Legislativo foi apresentado por Giusseppe Gianini Cardoso Coelho, sobrinho de José Bering Cardoso Filho, conhecido como “Ferrugem”, que morreu no dia 12 de julho deste ano após ser atendido no Hospital São Sebastião.

Durante a Tribuna Livre, Giusseppe relatou que o tio sofreu um acidente de motocicleta no dia 4 de julho e foi encaminhado pelo Samu ao hospital. Segundo a família, ele recebeu alta no mesmo dia, mas voltou à unidade após apresentar dores, vômitos e retenção urinária.

Ainda conforme o relato, José permaneceu na emergência durante os dias seguintes e posteriormente foi encaminhado para cirurgia após avaliação de um ortopedista. A família afirma que ele apresentava fratura na pelve e um quadro hemorrágico. Segundo Giusseppe, o paciente recebeu nove bolsas de sangue durante o procedimento e morreu no dia 12 de julho.

O sobrinho questionou a conduta adotada desde o primeiro atendimento e cobrou informações sobre a assistência prestada ao tio. Ele também questionou quem atualmente responde pela administração do Complexo Hospitalar e qual é a participação dos mantenedores na gestão das unidades.

A manifestação ocorreu em um momento em que a estrutura hospitalar do município passa por discussões sobre seu modelo de gestão. Em julho, uma decisão judicial autorizou o Ministério Público e a Polícia Civil a acessarem prontuários e outros documentos hospitalares para investigações em andamento.

Vereadores cobram respostas

Após o pronunciamento, vereadores defenderam que o caso seja investigado. Cristiano Motolink (Solidariedade) mencionou outros relatos de possíveis negligências nos hospitais e afirmou que a Câmara deve fiscalizar e cobrar respostas.

Idelmino Ronivon (PCdoB) manifestou solidariedade à família e colocou o mandato à disposição para acompanhar o caso junto à Comissão de Saúde, ao Ministério Público e à Justiça.

Jamille Gomes (PT) também mencionou relatos anteriores envolvendo o complexo hospitalar e defendeu uma atuação mais efetiva da Comissão de Saúde. A vereadora orientou a família a reunir documentos, incluindo o prontuário médico, para subsidiar eventuais medidas.

Marco do Paraíso (PSD) criticou a situação dos hospitais e mencionou relatos de possíveis erros e negligências. Ele também questionou as mudanças nas empresas responsáveis pela gestão e cobrou informações sobre investigações conduzidas pelo Ministério Público.

Outra reclamação envolve atendimento oftalmológico

Além do caso apresentado na Câmara, o Folha da Mata recebeu, na última semana, uma denúncia de uma família sobre o atendimento de uma paciente de 88 anos na Unidade São João Batista/Nova Era.

Segundo a filha, a mãe foi submetida a um procedimento de catarata realizado pelo oftalmologista Lucas Alves de Almeida. A familiar relatou à reportagem que a paciente teria apresentado pressão arterial elevada durante o atendimento e afirmou que as roupas da mãe estavam com sangue. Também alegou que o médico teria dito que “não iria com a cara” dela.

A família relatou ainda que, após o procedimento, a paciente apresentava vermelhidão e inchaço nos olhos. A reportagem voltou a procurar os familiares posteriormente, mas não recebeu retorno.

O Complexo Hospitalar de Viçosa informou que a manifestação foi encaminhada à Ouvidoria e passou a ser analisada pelos procedimentos internos da instituição. Segundo o hospital, a análise dos registros assistenciais não identificou intercorrências ou falhas na assistência durante o procedimento. A instituição também informou que a paciente recebeu avaliação e orientações no acompanhamento pós-operatório.

O hospital afirmou que não divulgará informações clínicas ou de prontuário em razão do sigilo profissional e da legislação de proteção de dados.

O Complexo Hospitalar mantém uma Ouvidoria destinada ao recebimento de críticas, reclamações, sugestões e elogios, com previsão de análise e retorno aos usuários.

Os relatos apresentados pelas famílias representam suas versões sobre os atendimentos. Eventuais falhas na assistência ou responsabilidades profissionais dependem de apuração técnica pelos órgãos competentes.

Matéria publicada na edição 3649 do jornal Folha da Mata - 20/08/2026. Se você quer ver com exclusividade, fique sempre de olho na banca mais próxima da sua região!

Mineiro do Vale do Jequitinhonha e jornalista formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), integra a redação do jornal Folha da Mata desde 2025, atuando na produção de conteúdo para as plataformas digitais e para a edição impressa do jornal.

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