Quase 90 trabalhadores em condições análogas à escravidão são resgatados na Zona da Mata
Operação em Alto Caparaó, Mutum e Santana do Manhuaçu identificou trabalhadores sem registro, alojamentos precários e ausência de condições básicas de trabalho
Uma força-tarefa coordenada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho resgatou 89 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em três propriedades rurais produtoras de café localizadas nos municípios de Alto Caparaó, Mutum e Santana do Manhuaçu, na Zona da Mata mineira. A operação ocorreu entre os dias 19 e 29 de julho e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal.
Segundo a fiscalização, este foi o maior resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão registrado em Minas Gerais em 2026. Ao todo, foram encontrados 45 trabalhadores em uma fazenda de Alto Caparaó, 32 em Mutum e 12 em Santana do Manhuaçu.
De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, todos os trabalhadores atuavam sem registro em carteira e estavam submetidos a condições degradantes de trabalho e alojamento. Nas frentes de serviço, não havia instalações sanitárias, obrigando os trabalhadores a realizarem necessidades fisiológicas em áreas de mata. A fiscalização também constatou a ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs) e alojamentos considerados inadequados em duas das propriedades inspecionadas.
Até o momento, cerca de R$ 654,6 mil já foram pagos em verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados. Uma das empregadoras, no entanto, ainda não quitou integralmente os valores devidos e foi notificada para regularizar a situação ou comprovar os pagamentos. Caso isso não ocorra, poderá ser autuada novamente e responder judicialmente.
Segundo o auditor-fiscal do Trabalho Flávio Pena, a operação foi reforçada devido ao aumento de denúncias durante o período da colheita do café, quando cresce o número de trabalhadores migrantes na região, principalmente oriundos do Norte de Minas e do Nordeste.
A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais informou que a atuação conjunta dos órgãos permitiu localizar todas as frentes de trabalho, apesar das dificuldades de acesso às propriedades rurais. Em nota, o órgão reafirmou o compromisso com a fiscalização e o combate ao trabalho em condições análogas à escravidão, especialmente em atividades com maior vulnerabilidade social, como a colheita de café.

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