TCE MG aponta que estado gasta mais com desfechos de desastres naturais do que na prevenção

Somente em 2025, Minas Gerais registrou 520 desastres provocados por condições climáticas extremas. De 2020 a 2023, decorrências como estas custaram R$ 4,39 bilhões aos cofres públicos

TCE MG aponta que estado gasta mais com desfechos de desastres naturais do que na prevenção
TCE-MG/divulgação

Somente em 2025, o Estado de Minas Gerais registrou 520 desastres provocados por condições climáticas extremas, deixando 16 mortes, 111 pessoas feridas ou enfermas e 9.486 desabrigadas/desalojadas, com 748,8 mil mineiros diretamente impactados, seja na perda de sua moradia, seja na saída por risco iminente ou por perda de fonte de renda.

Os dados são do Atlas Digital de Desastres no Brasil. Uma auditoria do Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG), inclusive, apontou que, entre 2012 e 2025, municípios destinaram R$ 462 milhões em prevenção e R$ 823 milhões em resposta e recuperação. " Ou seja: gasta-se quase o dobro para limpar os escombros, quando uma estratégia mais efetiva seria adotar medidas para prever os desastres e mitigar seus efeitos", destaca o Tribunal.
 
Outro estudo, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e citado no relatório do TCE-MG, estimou que, só entre 2020 e 2023, os desastres provocados pelas chuvas causaram R$ 4,39 bilhões em prejuízos no estado, com impacto negativo de 0,7% no PIB estadual.
Já o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) alerta que Minas é a unidade com o maior número de cidades em situação de vulnerabilidade a desastres, com 283 municípios. Este número representa 33,17% do total.  De acordo com o TCE-MG, a localização geográfica, o clima e o relevo favorecem essas ocorrências, mas o que mais impacta são ações humanas. 
"Atividades como o desmatamento, queimadas, o uso desenfreado de combustíveis fósseis e do solo, a degradação vegetal, a urbanização descontrolada e o aumento de lixões têm contribuído para aumentar a temperatura no planeta e intensificar eventos climáticos extremos, como secas severas, fortes ondas de calor, chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra, em curtos período de tempo", diz o tribunal.