COLUNA | FRUTOS DO NATAL

“Quero ver você não chorar / Não olhar pra trás / Nem se arrepender do que faz...” Saudade desta música.

De olho na empatia entre professor e aluno, adotei, durante toda a minha vida no magistério, o costume de, no primeiro dia de aula de uma turma, entregar a cada jovem uma biografia minha — com alguns altos e baixos — e pedir-lhe a sua.

Ao retornar a Juiz de Fora, após a aposentadoria compulsória na UFV, voltei, em 2002, a dar aulas também no Seminário Arquidiocesano, no curso de Filosofia. Seguindo a receita, forneci a cada aluno minha biografia e pedi que me trouxesse, na aula seguinte, sua respectiva autobiografia.

Na segunda aula, todos me entregaram o texto pedido, inclusive um seminarista que, logo de início, me chamara a atenção pelas características de sua origem muito humilde e cujo nome, bastante incomum, eu já havia gravado.

Em casa, li tudinho, tudinho, anotei os dados essenciais e, na terceira aula, enquanto devolvia as autobiografias, perguntei ao jovem, que havia contado ter nascido em 25 de dezembro e tinha o nome sugestivo de Natal Furtuoso:

— Nome e sobrenome pelas razões que estou pensando?!...

Ele confirmou, com um sorriso estampado no rosto:

— Sim. Exatamente…

E me contou que sua chegada, naquela data tão especial, foi um acontecimento a ser comemorado. Algo que enterneceu a mamãe e o papai. E, se erraram na pronúncia — e o escrivão errou na grafia —, valeu a intenção. Para eles, que tinham pouco mais que uma manjedoura, foi um Natal que consideraram fecundo, capaz de produzir bons resultados, enfim, abundante em frutos. Natal Frutuoso.

E me disse que o papai e a mamãe aprenderam que cada criança que nasce é a prova de que Deus continua investindo na humanidade…

E aí pensei nesta data tão terna e no investimento máximo de Deus, tornando-se, há dois mil anos, visível para o planeta Terra naquela criança nascida em Belém…

E agora, neste Natal de 2009, desejando que mais e mais pessoas se aprofundem na reflexão sobre esse acontecimento jubiloso para toda a humanidade, completo para você a música que ficou gravada na minha memória…

“Quero ver você não chorar / Não olhar pra trás / Nem se arrepender do que faz. / Quero ver o amor vencer / Mas, se a dor nascer / Você resistir e sorrir! / Se você pode ser assim / Tão enorme assim / Eu vou crer... / Que o Natal existe / Que ninguém é triste / Que no mundo há sempre amor! / Bom Natal / Um Feliz Natal / Muito Amor e Paz pra você / Pra você.”

Publicado na edição 2.130, de 24/12/2009.