Folha da Mata: Jornal, notícia e história
"Existem dias em que o jornalismo registra fatos que, no futuro, serão contados nos livros e serão guardados por gerações. Nesses dias, o que o jornalismo faz é escrever a história". (Fátima Bernardes)
Era naquele tempo em que o quadro político de Viçosa era bem definido e se definiria ainda mais nas vindouras siglas Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). De um lado, o Partido Republicano (PR), futura Arena; do outro, o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que se fundiriam a outros mais no MDB.
E naquele tempo, veio 1962. Depois de um longo jejum, a coligação PSD/PTB vencia o pleito municipal para prefeito e vice-prefeito (a votação era em separado). No ano seguinte, Moacyr Dias de Andrade governava, tendo por vice-prefeito César Sant’Anna Filho.
No Município já tinha um periódico, intitulado “Cidade de Viçosa” que, segundo as más línguas, tinha uma quedinha para o lado “peerrista”. Aí, já viu, especulou-se um noticioso que fosse, ideologicamente, o mais neutro possível. Nesse contexto, exatamente no dia 20 de outubro de 1963, viçosa desperta com um novo jornal na praça: o Folha de Viçosa.
Antes de começar uma história, é bom enumerar os personagens, aqueles que tiveram o expediente de compor o enredo. No caso do Folha da Mata, nascido (o jornal) Folha de Viçosa, todo o elenco pioneiro teve papel idêntico, sem essa de principal e coadjuvante. A divisão foi meramente, organizacional e assim distribuída: Guy Capideville (diretor), Rui Basílio de Figueiredo (redator), Pélmio Simões de Carvalho (tesoureiro, chefe de oficinas e redator) e a turma da redação: Sydnei Alves Afonso, professor Fernando Filgueira, João Floresta Filho, José Maria Salgado, José Rubens Raposo, Edel Weiss, Pereira de Carvalho, Jóter Rubens, José Bayllon Gomide e padre Antônio Mendes.
Quando falamos de papel idêntico na construção, observe o último nome do plantel. Ele mesmo, padre Antônio Mendes, autor intelectual e material do noticioso. Passado algum tempo e algumas edições, o sacerdote reuniu-se na sua casa, na travessa Simonini, 47, com os apoiadores mais diretos e foi direto ao assunto. Falou da sua satisfação com a população pela receptividade ao jornal e dos frutos da editora do mesmo nome, principalmente na confecção de livros. Tudo correndo “de vento em popa”, uma expressão usada na época para definir o sucesso de um empreendimento. No caso...dois.
Depois o padre encurtou a conversa. Disse que a missão dele era espalhar escolas para dar oportunidades iguais aos desiguais. Colégio de graça, ou quase. Assim, não teria tempo de se dedicar com mais afinco ao jornal e a tipografia. E já despejou a solução: “Temos aquele rapaz, o Pélmio, que além de professor de História, é novo e dinâmico. Ele já exerce mesmo várias funções, que assuma de vez a empreitada. Podemos oferecer a metade do empreendimento como pagamento de seus direitos trabalhistas e, a outra metade, ele assina uma promissória e paga quando tiver recursos”.
Assim foi combinado, assim foi feito. Nascia ali a certeza de um dos mais duradouros e constantes periódicos de Minas Gerais.
Sobre a promissória da outra metade, anos depois, já no início do decorrer deste século XXI, um dos participantes daquela reunião, Lacyr Dias de Andrade, compareceu à redação do Folha da Mata e entregou ao diretor de longa data, numa moldura, o documento que simbolizava e resumia toda uma história de firmeza e perseverança. Assim, foi paga a outra metade.
E lá se vão 63 anos escrevendo boa parte da história de Viçosa e, por extensão, deste nosso pedaço da Zona da Mata.

