Arquibancada Viçosense | O futebol é muito maior que as disputas de bastidores
Estreio este espaço no nosso Folha da Mata digital com a convicção de que o futebol merece ser discutido para além das quatro linhas. É paixão, rivalidade, emoção, mas também precisa ser tratado com responsabilidade, respeito e, acima de tudo, espírito esportivo.
Maracanã não pode ser instrumento de disputa
Gabriel Victor/Folha da Mata
O imbróglio envolvendo Vasco da Gama, Flamengo e Fluminense pela utilização do Maracanã no jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, marcado para a próxima terça-feira, dia 20, é daqueles episódios que nos fazem questionar os rumos da gestão do futebol brasileiro.
Particularmente, não concordo com a postura dos gestores do consórcio que administra o estádio ao tentar impedir a realização da partida. Havia um entendimento preliminar para a utilização do Maracanã pelo Vasco, e voltar atrás em um compromisso dessa natureza, às vésperas de um confronto tão importante, é algo que merece reflexão.
É evidente que administrar um estádio exige planejamento, cuidados com o gramado, segurança e organização de eventos. Mas também é preciso respeitar os acordos estabelecidos e agir com equilíbrio. O Maracanã não pode ser tratado como patrimônio exclusivo de Flamengo e Fluminense, até porque não o é. Trata-se de um dos maiores símbolos do futebol brasileiro, cuja história foi construída por diferentes clubes e gerações de torcedores.
A decisão judicial mais recente restabeleceu a liberação do estádio para o confronto. Ainda assim, a insistência no impasse deixa uma pergunta: se o futebol brasileiro deseja ser cada vez mais profissional, por que questões que poderiam ser resolvidas pelo diálogo acabam transformadas em disputas públicas e judiciais?
Rivalidade deve ficar dentro de campo. Fora dele, o que se espera dos dirigentes é responsabilidade e respeito ao esporte.
Galo dá passo importante rumo à final
Foto: Gilson Lobo/AGIF
Enquanto a polêmica carioca ocupa os bastidores, o Atlético Mineiro fez bonito na noite de quarta-feira. Jogando na Arena MRV, em Belo Horizonte, o Galo venceu o Montevideo City Torque, do Uruguai, por 3 a 0, no primeiro duelo da semifinal da Copa Sul-Americana.
Com gols de Reinier, Bernard e Thiago Borbas, a equipe alvinegra construiu uma vantagem expressiva para o confronto de volta, marcado para a próxima quarta-feira, dia 21, em Montevidéu. O Atlético poderá perder por até dois gols de diferença e, ainda assim, garantir sua vaga na decisão.
É claro que a classificação ainda precisa ser confirmada dentro de campo, mas o resultado dá ao torcedor atleticano motivos de sobra para acreditar. Uma atuação segura, eficiência no ataque e vantagem construída diante de sua torcida colocam o Galo em posição bastante favorável na busca por mais uma final continental.
Cajuriense mantém vivo o sonho regional
E para fechar, é preciso olhar também para o futebol da nossa região, onde a paixão pelo esporte não depende de grandes estádios, contratos milionários ou transmissões internacionais.
O Cajuriense, de Cajuri, está na decisão do Campeonato Regional do Açúcar, organizado pela Liga Desportiva de Urucânia. No domingo passado, a equipe empatou em 1 a 1 com o América de Amparo do Serra, jogando na casa do adversário, e agora decidirá o título diante de sua torcida.
A igualdade deixou a disputa aberta, mas deu ao Cajuriense a oportunidade de buscar a conquista em seus domínios, contando com o apoio de sua gente. Para uma cidade do porte de Cajuri, chegar a uma final regional representa muito mais do que a possibilidade de levantar uma taça: é motivo de orgulho, mobilização comunitária e valorização do esporte local.
Que venha uma grande decisão, com arquibancadas cheias, respeito entre os adversários e uma festa bonita para o futebol regional.
Afinal, seja no Maracanã, na Arena MRV ou nos campos do interior, o futebol continua sendo feito de histórias, de gente apaixonada e do direito de cada clube lutar por seus sonhos.

