COLUNA | AÇÃO EVANGELIZADORA

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), propostas para os próximos seis anos, 2026–2032, nos convidam a “alargar a tenda” na qual o Senhor veio habitar entre nós, tendo como objetivo geral: “Evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, em comunidades de discípulos missionários, fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, a caminho da plenitude do Reino de Deus”.

Aprovado na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em abril deste ano de 2026, em Aparecida (SP), o texto das DGAE é fruto de um processo marcado por ampla escuta, participação e discernimento, constituído por sete passos em suas etapas de construção:

A carta dos bispos à Igreja no Brasil: Ao final da 59ª Assembleia Geral da CNBB, em setembro de 2022, os bispos enviaram uma carta na qual explicavam e davam início ao processo de construção das novas DGAE.

Tempo de discernimento: Em 2023, o processo de atualização das Diretrizes avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e os desafios. Foi quando ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar o texto.

Encorajamento, consolidação e aprofundamento: Em 2024, ocorreu o aprofundamento do texto até então elaborado. Para consolidá-lo, durante a 61ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos, por meio de um instrumento de trabalho, consolidaram os caminhos pastorais que a Igreja deveria abraçar. Em junho daquele ano, o Papa Francisco enviou uma carta confirmando e animando os bispos no processo de elaboração das Diretrizes.

Nova rota definida, passando pelas dioceses: Chegado o ano de 2025, a expectativa era de votação do texto durante a Assembleia Geral. Entretanto, com o falecimento do Papa Francisco, os bispos decidiram pelo adiamento da Assembleia, passando a votação para 2026. Durante o Conselho Permanente de julho de 2025, os bispos aprovaram a sugestão da equipe de redação das Diretrizes para que o texto fosse usado ainda como Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho) por dioceses e organismos eclesiais até o final do ano, cujo desfecho foi o envio de novas observações à equipe de redação para serem incorporadas ao texto.

Novo Instrumentum Laboris: Em janeiro de 2026, após receber as contribuições das dioceses, a comissão de redação das Diretrizes enviou a todos os bispos a 23ª versão do texto, consolidando o caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante.

Amadurecimento do texto das Diretrizes: Durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos debruçaram-se sobre o texto e fizeram 1.500 emendas, as quais foram analisadas pela equipe de redação. “Essa equipe trabalhou de uma forma extraordinária e chegamos a um texto que, imagino, reflete as necessidades da obra da evangelização hoje no território”, destacou o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler.

A tenda do encontro e a recepção do Sínodo: O texto foi aprovado na quinta-feira, dia 23 de abril. Durante a coletiva de imprensa realizada no dia 24 de abril, dom Jaime Spengler apresentou a estrutura do texto das Diretrizes, aprovado no dia anterior com acolhida do resultado expressivo da votação, marcado por aplausos de pé no plenário da Assembleia.

O texto propõe para a Igreja no Brasil a imagem da tenda do encontro, assim como no Sínodo sobre a Sinodalidade, como inspiração para a acolhida de todos, a possibilidade de alargamento e a itinerância na missão.

“As orientações das Diretrizes estão em grande sintonia com aquilo que hoje a Igreja, no seu todo, pede do seu povo, da nossa gente”, pontuou dom Jaime.

Conheça a estrutura do documento das DGAE, com validade de 2026 a 2032:

1º capítulo: A Igreja: tenda do encontro: A Igreja é compreendida como tenda do encontro. A tenda acolhe todos e pode ser sempre de novo alargada, de acordo com as necessidades.

2º capítulo: A escuta dos sinais: É feita a escuta tanto dos sinais dos tempos, que dizem respeito à realidade atual do mundo, quanto dos sinais de esperança e da ação do Espírito Santo, que podem ser vistos nas comunidades de todo o país.

3º capítulo: Discernimento para uma Igreja sinodal: Aqui entram os aspectos fundamentais que já foram apresentados durante o Sínodo dos Bispos, em 2023 e 2024, e os princípios da comunhão, da participação e da missão.

4º capítulo: Povo de Deus em missão: Todos nós somos chamados a testemunhar e anunciar o Evangelho (laicato, ministros leigos e leigas, famílias, crianças e adolescentes, jovens, mulheres, pessoas com deficiência e neurodivergência, idosos, vida consagrada, ministros ordenados e povos indígenas).

5º capítulo: Caminhos da missão: Indicações sobre os “modos concretos” de efetivar as propostas das Diretrizes da Ação Evangelizadora, não apenas com ações, mas para que todos encontrem na tenda “lugar, sentido e envio na missão”. Nesse sentido, os caminhos dizem respeito à animação bíblica da pastoral; à iniciação à vida cristã, à liturgia e à piedade popular; ao serviço à vida plena para todos; à evangélica opção preferencial pelos pobres; à formação, à defesa e ao cuidado da vida; e à ecologia integral.

6º capítulo: Compromissos sinodais: Com o compromisso de que as Diretrizes estivessem em sintonia com as decisões do Sínodo, o texto foi firmado como o principal instrumento de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade na realidade do Brasil. Assim, o último capítulo contém uma atitude considerada por dom Jaime como o “coração do documento final do Sínodo 2023”: a conversão.

Dessa forma, os compromissos sinodais partem da conversão em três âmbitos: das relações, dos processos e dos vínculos. Na conversão das relações, estão presentes a questão da proteção de menores e a da comunicação, por exemplo. Na conversão dos processos, os bispos abordam os espaços de promoção da sinodalidade, como as assembleias diocesanas, os conselhos pastorais, os conselhos econômicos e a questão do dízimo. Por fim, a conversão dos vínculos diz respeito aos organismos do povo de Deus, aos organismos e projetos missionários, ao Pacto Educativo Global, lançado pelo Papa Francisco, e às questões do ecumenismo e do diálogo inter-religioso.

A Igreja tem reforçado seu aspecto comunitário. É por isso que as DGAE orientam o caminho para a vida em comunidade por meio de três aspectos do testemunho da comunhão: dimensão comunitária; dimensão bíblico-catequética — formação; e dimensão litúrgica.

As DGAE ainda destacam: promover a dignidade da pessoa, renovar a comunidade e construir uma sociedade solidária.

O Projeto Nacional de Evangelização está se desenvolvendo sobre os trilhos de duas grandes e fundamentais apostas: a espiritualidade da comunhão e a aposta da caridade (NMI 49; DGAE 113, 152).

À guisa de conclusão desta abordagem, destacamos como elementos centrais:

Evangelizar e anunciar: O foco central permanece no anúncio de Jesus Cristo.

Igreja sinodal: Caminhar juntos, com a participação de todos os batizados.

Palavra e Sacramentos: A sustentação espiritual da vida cristã.

Opção pelos pobres: Fidelidade evangélica aos mais vulneráveis.

Na unidade dentro da pluralidade, inspirados e impulsionados por Cristo, Bom Pastor, pautamos de maneira clara e objetiva a ação evangelizadora!

Matéria publicada na edição 3686 do Folha da Mata - 15/19/2026. Se você quer ver com exclusividade, fique sempre de olho na banca mais próxima da sua região!

No Jornal Folha da Mata, utilizamos cookies para garantir o funcionamento seguro do site, melhorar sua experiência de navegação, permitir o suporte via WhatsApp e, futuramente, exibir anúncios personalizados. Ao aceitar, você concorda com o uso dessas tecnologias de acordo com a nossa Política de Privacidade.