Da esq. para dir., Celito, José Paulo e Vivente
Deixei passar a merecida festa dos 155 anos de emancipação político-administrativa de Viçosa para suscitar lembranças de três “estrangeiros” que ajudaram a escrever a história da cidade, com admirável coincidência: o dia 30 de setembro.
O jornalista José Paulo Martins, o Zé Paulo, nasceu em Tiros, aqui nas Gerais mesmo, mas escreveu sua história e a história de muita gente aqui em Viçosa. Escrevia às vezes com as mãos, outras com o coração. E o que ele escreveu com alma foram histórias de pessoas que ele encontrava pelos caminhos.
Vai ver até que ele já escreveu alguma coisa sobre você que está lendo esta mensagem. Com isso, deu até para deixar dois livros. Um dia fizeram do Zé Paulo um imortal. Foi indicado para a Academia de Letras de Viçosa. Nada mais justo para um verdadeiro sacerdote das letras.
Foi quase tudo na imprensa viçosense, além de assessor de imprensa da Universidade, editor do Jornal da UFV e produtor de conteúdo do site, José Paulo foi poeta e escritor premiado e colaborador de inúmeros jornais, revistas, rádios e TVs de Viçosa e região. O esporte da cidade também deve muito ao Zé Paulo.
O Zé era, antes de tudo, um apaixonado pela família. Amava a vida porque tinha uma razão maior: a sua família. Junto à esposa Nívea, trouxe ao mundo os filhos Gustavo, Otávio e Lígia. Depois nasceu Fabrini, a neta primeira, e a felicidade ficou ainda mais completa.
Zé Paulo passou pela porta que se fecha para o finito e se abre para a eternidade no dia 30 de setembro de 2013... em Viçosa.
Celito Francisco Sari, foi um dos mais respeitados profissionais de saúde que já passaram pelo Município. Também foi prefeito da cidade e resumiu assim sua trajetória pela vida:
“Eu sempre fui uma pessoa que sonha com as mãos. Na minha infância, lá na pequena Faxinal do Soturno, no Rio Grande do Sul, enquanto ajudava meus pais, pequenos produtores rurais, nas tarefas do dia a dia, eu contava as horas para seguir até a escola que me daria as primeiras ferramentas para eu cavar o futuro.
Alguns anos depois, o então jovem soturnense deixa a cidade natal em busca de novos horizontes e se aporta em terras fluminenses, onde, também com sacrifício, mas munido de muita vontade, conquista com orgulho e rara satisfação o seu diploma de medicina.
Gosto de falar de gratidão, ou melhor, gosto de sentir a gratidão. Ela faz bem para a alma. Neste quesito, não poderia deixar de lembrar o meu irmão Zilmar Sari. Foi ele que me ensinou o caminho de Viçosa. Com ele, aprendi a amar essa terra essa que me acolheu com tanto amor. Foi um encontro recíproco. Viçosa adotou-me e eu adotei Viçosa. A base de minha vida também foi aqui alicerçada na família formada pela minha esposa Suely e meus filhos, Renata, Victor, Diana, Celito Jr e Giovanna.
Aqui, doei minhas mãos a Deus e ele as acolheu para continuar semeando sonhos reais. São centenas de viçosenses que ajudei chegar ao mundo. Isso me faz mais viçosense e aumentou o meu amor por Viçosa”.
Celito era assim: doação, generosidade e gratidão. Partiu em 30 de setembro de 2014... em Viçosa.
Vicente de Paula de Souza Castro, por sinal meu irmão e do Zé do Pedal, nasceu no dia 30 de setembro de 1955, no pequeno distrito de São Vicente da Estrela, Município de Raul Soares. Chegou em Viçosa com dois anos de idade e fez daqui a sua cidade.
Não teve berço...teve balaio. O balaio ficava na cozinha. Ali, além da nossa mãe, cada um que passava dava uma balançadinha... e nesse vai e vem, Vicente passou a vida, sempre solícito e agradecido a todos porque tinha consciência que, quase sempre, precisamos de mãos amigas para balançar o balaio dos nossos sonhos no voo para a realidade. E assim, incialmente, realizou todos os seus sonhos possíveis... depois, os impossíveis!
Formou-se advogado pelo Instituto Benetti do Rio de Janeiro e historiador pela Universidade Federal de Viçosa. Como advogado, prestou seus serviços aos necessitados, sem cobrar nenhum honorário. Historiador, foi cofundador do IHGV (Instituto Histórico e Geográfico de Viçosa), cuja papelada ainda não foi totalmente legalizada. Tinha verdadeira paixão pelas coisas de Viçosa e se embrenhou de coração nas histórias do presidente Arthur Bernardes e do maestro Hervé Cordovil Pinto Coelho. A biografia de Vicente é longa, o espaço limitado.
Do Casamento com Vanderleia Lisboa, nasceu a filha Andressa, que veio somar a outra filha, a Aline, fruto do primeiro casamento com a Ione Pareto. Da Aline, os Netos Leander e Leonard.
Num sábado de Lua Cheia, tarde-noite de 20 de abril de 2019, no hospital de Muriaé, revivemos com Vicente momentos que pareciam deletados no arquivo da memória. De lá, voltamos para Viçosa, de onde ele seguiu viagem para ressurgir na eternidade de suas crenças.
Por eles, Zé Paula, Celito e Vicente, faço valer a máxima contida numa das estrofes do Hino de Viçosa, composição do maestro Expedito Gomes de Castro e letra derivada de uma coletânea de trovas organizadas pelo médico/poeta Ary Teixeira de Oliveira, ambos também de saudosa memória: Ó Viçosa que me encantas/e a todos tão bem acolhes/ pois, se cultura tu plantas/ quanto carinho tu colhes!