UFV produz os primeiros embriões de jumentos nordestinos em laboratório

Os animais correm sério risco de extinção no Brasil, podendo desaparecer até 2030

UFV produz os primeiros embriões de jumentos nordestinos em laboratório

Um importante avanço para a pesquisa em reprodução e conservação genética de asininos foi alcançado na Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Oócitos coletados de jumentas do ecótipo Nordestino durante uma visita técnica à Jegue Land, no sertão da Bahia, deram origem a embriões produzidos em laboratório por meio da técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI). 

Trata-se dos primeiros embriões de asininos do ecótipo Nordestino produzidos in vitro no mundo, um marco que abre novas possibilidades para a conservação e a multiplicação genética desses animais.
A coleta foi realizada durante a primeira visita técnica da equipe de pesquisadores da UFV à propriedade, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape).

 Logo após o procedimento, os oócitos foram transportados até o Laboratório de Reprodução de Animais de Produção (Reprolab), do Departamento de Zootecnia da UFV, onde foram submetidos às diferentes etapas da produção in vitro de embriões. Na ICSI, um único espermatozoide é introduzido diretamente no interior do oócito com auxílio de equipamentos de micromanipulação, técnica que representa uma das biotecnologias mais avançadas atualmente empregadas na reprodução de equídeos.

Nove dias após o início do cultivo, a equipe vitrificou os primeiros embriões asininos produzidos em laboratório a partir dos oócitos coletados na Jegue Land.

O resultado representa um passo importante para o desenvolvimento de biotecnologias reprodutivas avançadas aplicadas aos asininos do ecótipo Nordestino e abre novas perspectivas para a multiplicação, o melhoramento e a conservação de seu patrimônio genético.

A possibilidade de produzir esses embriões em laboratório representa uma mudança de perspectiva para a conservação do ecótipo Nordestino. Além de preservar material genético de animais de interesse, o domínio da técnica poderá permitir a multiplicação mais eficiente de indivíduos geneticamente relevantes, ampliando sua contribuição para as próximas gerações e criando novas possibilidades para o crescimento e a estruturação dos rebanhos. Dessa forma, a tecnologia reúne duas vertentes importantes: conservar a diversidade genética existente e, simultaneamente, ampliar o potencial de multiplicação dos animais selecionados.

O resultado ganha ainda mais relevância diante dos desafios da produção in vitro de embriões em asininos, uma área que ainda apresenta lacunas científicas e protocolos menos consolidados quando comparada à reprodução assistida em equinos. Segundo a equipe, os resultados obtidos já nesse primeiro teste piloto foram muito promissores, especialmente por se tratar da implantação e adequação da técnica às particularidades da espécie e às condições do projeto.

A pesquisa é desenvolvida no âmbito da parceria entre a Jegue Land e instituições públicas de ensino e pesquisa, entre elas a Universidade Federal de Viçosa. O trabalho integra o projeto de mestrado de Frederico Freitas, estudante do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFV, sob orientação da professora Yamê Fabres, do Departamento de Zootecnia.

A próxima etapa será dar continuidade aos experimentos para aprimorar e aumentar a eficiência da técnica, buscando ampliar a produção de embriões asininos em laboratório. Com o avanço do projeto, a perspectiva é que esses embriões possam futuramente ser transferidos para jumentas e mulas receptoras, permitindo avaliar o estabelecimento das gestações e avançar até o nascimento dos primeiros produtos provenientes da técnica.

“Nosso foco, como pesquisadores, é o desenvolvimento de biotecnologias reprodutivas que possam contribuir para a valorização e para a estruturação da cadeia produtiva dos asininos. Quando esses animais passam a ter maior importância econômica e produtiva, existe também maior interesse na sua criação, reprodução e manutenção. Então, o que buscamos com esse trabalho é justamente desenvolver ferramentas que permitam preservar genética, multiplicar animais de interesse e contribuir para que a criação de asininos tenha cada vez mais valor e perspectivas no Brasil”, acrescenta a professora Yamê Fabres.