COLUNA | JUIZO FINAL
Jogo Raul de Leoni x Ajax. Messias cobra o córner, confusão na área, a bola entra direto, Deco apita. Falta contra o goleiro? Gol olímpico? Empurra pra cá, empurra pra lá, polícia em campo, os minutos se passando. Os torcedores presentes sem saberem o que aconteceu. Os ouvintes da Montanhesa sem saberem o que aconteceu.
É que ao apito audível faltou o complemento com o gesto visível. Apontar o local da falta ou correr para o meio do campo.
Deco depois vai dizer que não apontou nem correu porque se sentiu uma ilha, cercado de leoninos e ajaxianos por todos os lados. E no dia seguinte, está se explicando na Montanhesa:
— Apitei bola fria...
Palmeiras x Fluminense. Obina recebe falta e ainda assim marca o gol. O juiz anula o gol. Não valeu o gol! França x Irlanda. Henry conduz a bola com a mão antes de passá-la ao companheiro para marcar o gol que leva os franceses à Copa. O juiz assinala o gol. Valeu o gol! Em ambos os casos, houve o apito e o gesto. Apontou o local da falta; correu para o meio do campo. Estamos conversados.
É que, nessas decisões, não vale o replay...
Mas o povo fica implicado com outras decisões de juízes:
— Por que no julgamento dos casos Cesare Battisti e Raimundo Violeira, em que vale a repetição, o estudo cuidadoso, a decisão ponderada, acaba nenhum deles batendo o martelo?!
• O Supremo Tribunal Federal vota pela extradibilidade de Battisti, mas Lula é que vai decidir...
• O Juiz Eleitoral cassa o diploma do Violeira, mas outras instâncias é que vão decidir...
Vamos com calma. Há uma categoria de juiz que não apita. Apenas julga. E nem sempre decide.
Há outros foros... Não importa se o que está em discussão é a temperatura da bola, digo, a extradição do Cesare Battisti ou a cassação do Raimundo Violeira...
Daí, dependendo da torcida, o juiz vira réu. Que é “bola fria”?! Decide mas não decide! Afinal é a Lula que cabe dar a Cesare o que é de Cesare. Ou até decide, s.m.j., com fair-play. No caso de Viçosa, o Juiz cassou, mas pareceu-lhe “desarrazoado determinar, de imediato, a posse dos que ficaram em segundo lugar na disputa eleitoral, para evitar-se alterações precárias, isto é, sujeitas a reforma judicial, no comando da administração municipal.”
Muitos dizem que esses apagões sintetizados em “bola fria” são inexplicáveis. Daí até terem pensado em apelar para a Fundação Cacique Cobra Coral...
Quanto a mim, acho que o jeito é fazer como Deco que, apertado pelo repórter da Montanhesa — que é “bola fria”? — jogou a toalha:
— Essa só Santa Rita explica...
JUÍZO FINAL
Publicado na edição de 2.126, de 27/11/2009.



