ARQUIBANCADA VIÇOSENSE | Do sufoco internacional ao marasmo local
A semana foi de emoções fortes para quem acompanha o futebol, mas nem todas terminaram com motivos para comemorar. Vasco e Atlético entraram em campo com boas vantagens construídas nos jogos de ida das semifinais da Copa Sul-Americana, mas o roteiro das partidas de volta mostrou que vantagem não ganha jogo sozinha.
A QUEDA AMARGA DA EQUIPE CRUZMALTINA
Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
O Vasco havia vencido o Boca Juniors por 1 a 0, na Argentina, e tinha tudo para administrar o resultado diante de sua torcida. Mas o primeiro tempo foi muito ruim. O time pouco produziu e deu espaço para o adversário crescer. Na etapa complementar, melhorou, mas acabou eliminado após uma falha bisonha de seu goleiro, que praticamente entregou a classificação aos argentinos.
Além do erro individual, ficou evidente a falta de um meia de criação capaz de chamar a responsabilidade, cadenciar o jogo e coordenar a administração de uma vantagem tão importante. Na minha opinião, Tiago Mendes, contratado para ser protagonista, deveria exercer esse papel. Até agora, porém, não passou de mero coadjuvante. Em jogos decisivos, não basta ter bons jogadores: é preciso ter quem pense o jogo e assuma o comando dentro de campo.
O SOFRIMENTO QUE DEU ESPAÇO À CLASSIFICAÇÃO
Foto: Pedro Souza / Atlético
Se o Vasco decepcionou, o Atlético Mineiro também fez seu torcedor sofrer além da conta. Depois de vencer o Montevidéu City Torque por 3 a 0, em Belo Horizonte, o Galo foi para a partida de volta com uma postura excessivamente defensiva, abdicando praticamente de atacar. O resultado foi um time apático, sem poder ofensivo e que quase colocou a classificação a perder.
O esquema defensivista, de ficar apenas esperando o adversário, poderia ter custado muito caro. O Atlético tem elenco e qualidade para jogar de igual para igual com qualquer equipe. Faltou atitude, a escalação não convenceu e as substituições tampouco surtiram o efeito esperado. O sofrimento poderia ter sido bem menor se o time tivesse jogado com a personalidade que sua camisa exige.
Agora, é virar a página e pensar na final contra o Boca Juniors, em novembro. Condições de conquistar o título o Galo tem. Mas será preciso outra postura, mais coragem e a recuperação de valores que fazem parte de sua história: raça, orgulho e amor pela camisa preta e branca.
Por aqui, a situação é outra. O futebol viçosense precisa, urgentemente, de uma injeção de ânimo. Representantes de equipes que disputam amistosos nas tardes de sábado e nas manhãs de domingo já demonstram desânimo diante da falta de compromisso de alguns atletas. Há times que sequer conseguem reunir o número mínimo de jogadores para cumprir partidas previamente acertadas com os adversários. Assim fica difícil manter viva a paixão pelo futebol amador.
A situação das competições oficiais também não ajuda. A Liga Esportiva de Viçosa, que deveria estar à frente da organização dos campeonatos, depende de recursos da prefeitura para colocar as disputas em campo. Os atrasos e a insuficiência dos repasses comprometem o planejamento e ajudam a alimentar o marasmo que tomou conta do futebol local. Enquanto isso, nas cidades vizinhas, o esporte bomba. Aqui, é uma bomba! E quem perde com isso são os atletas, os clubes e, principalmente, os torcedores.
Para fechar, não dá para ignorar o que aconteceu na final do Campeonato Regional de Futebol do Açúcar, no último domingo, em Cajuri. O Cajuriense chegou a abrir dois gols de vantagem e ficou muito perto do título, mas deixou escapar a conquista a menos de dez minutos do fim. Uma frustração enorme para quem estava em campo e para a torcida que sonhava com a taça.
O que faltou? Experiência e maturidade para administrar o momento decisivo. A expulsão de um jogador e o pênalti evitável cometido pela equipe podem ter pesado, assim como as substituições, que não produziram o efeito desejado. Mas seria injusto responsabilizar individualmente um ou dois atletas por uma derrota que precisa ser analisada pelo conjunto.
No futebol, a linha entre a glória e a frustração é muito tênue. Um segundo de desatenção pode colocar tudo a perder. O Cajuriense sentiu isso da maneira mais dolorosa. Faltou malícia, faltou maturidade para entender que, numa final, saber sofrer e administrar o resultado é tão importante quanto fazer gols.
Fica a lição: futebol não se decide apenas na técnica ou na vontade. Em partidas decisivas, cabeça fria, experiência e leitura de jogo também levantam taças — ou deixam escapar títulos que pareciam garantidos.

