Pesquisadores da UFV publicam artigo em revista mundial de alto impacto
Estudo revela respostas das raízes que podem orientar o melhoramento agrícola
A Universidade Federal de Viçosa (UFV) voltou a aparecer nos holofotes internacionais com mais uma pesquisa publicada em outro renomado periódico científico: o Journal Of Hazardous Materials, de alto impacto mundial, focado em engenharia ambiental.
Os experimentos compararam plantas cultivadas sem alumínio e com 50 micromoles por litro do elemento, durante dez dias, em ambiente controlado. A exposição reduziu significativamente o crescimento das raízes.
Foram analisadas respostas da raiz como um todo, do córtex nas zonas de alongamento e maturação e de regiões que incluem o centro quiescente e a endoderme.
Esse recorte permitiu identificar diferenças que uma análise geral das raízes poderia diluir.
Metabolismo e resposta a danos no DNA apresentam padrões distintos
A pesquisa encontrou alterações na expressão de genes relacionados ao ciclo dos ácidos tricarboxílicos, também chamado ciclo de Krebs, processo associado ao metabolismo mitocondrial.
A indução desses genes foi mais evidente em tecidos diferenciados. Nas regiões meristemáticas, relacionadas à formação de novas células, os ajustes metabólicos foram mais limitados.
Também houve diferenças na regulação de genes envolvidos no ciclo celular e nos mecanismos de resposta a danos no DNA. Na região associada ao centro quiescente, destacaram-se alterações em componentes ligados ao controle da divisão celular.
Os resultados sustentam a hipótese de que as raízes organizam respostas distintas conforme a função de cada grupo de células, combinando ajustes metabólicos e mecanismos de proteção do material genético.
Descoberta pode orientar pesquisas sobre tolerância ao alumínio
Os autores apontam genes regulatórios e enzimas do metabolismo mitocondrial como possíveis alvos para futuros estudos de melhoramento e engenharia genética.
O trabalho, entretanto, não apresenta uma variedade agrícola tolerante nem demonstra aumento de produtividade no campo. As evidências foram obtidas em uma planta-modelo, sob condições experimentais.
A equipe ressalta a necessidade de ensaios de interação genética e análises bioquímicas diretas para validar os mecanismos propostos. Alterações na expressão de genes, isoladamente, também não comprovam mudanças na disponibilidade local de energia.

