Quase uma semana sem água expõe drama de moradores e exige respostas

Quase uma semana sem água expõe drama de moradores e exige respostas
Falta de água castiga moradores dos bairros mais altos de Viçosa que enfrentam dias de transtornos com o desabastecimento

A falta de abastecimento de água que atinge bairros da parte alta de Viçosa transformou a rotina de centenas de famílias em um verdadeiro desafio. Desde a última sexta-feira, 17, moradores de bairros como Santa Clara, Maria Eugênia, São Sebastião e de outras localidades da região convivem com torneiras secas e caixas d'água vazias, sem qualquer previsão concreta para a normalização do serviço.

Passados seis dias, o problema já ultrapassa o limite dos transtornos ocasionais e passa a comprometer atividades básicas do cotidiano. Em muitas residências, cozinhar, lavar roupas, tomar banho, realizar a limpeza da casa e até manter condições mínimas de higiene tornou-se uma tarefa praticamente impossível. A situação é ainda mais delicada para famílias com crianças, idosos, pessoas com deficiência e pacientes que dependem de cuidados permanentes.

Enquanto a população enfrenta o desabastecimento, as redes sociais se transformaram em um espaço de desabafo coletivo. São dezenas de relatos de moradores indignados com a demora na solução do problema, muitos afirmando que os reservatórios secaram completamente ainda no fim de semana e permanecem sem receber água até esta quarta-feira. Há também reclamações quanto à dificuldade de obter informações claras sobre a real situação do sistema de abastecimento.

Até o momento, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) limita-se a informar que a interrupção decorre de manutenções e da substituição de equipamentos no sistema de distribuição que vêm sendo realizadas desde a semana passada. No entanto, a justificativa já não é suficiente para explicar a duração do problema nem tranquiliza os consumidores, que continuam sem saber quando o abastecimento será efetivamente restabelecido.

A ausência de informações mais detalhadas contribui para aumentar a insegurança da população. Afinal, trata-se de um serviço essencial, cuja interrupção prolongada afeta diretamente a saúde pública, a qualidade de vida e a dignidade das pessoas.

Diante da gravidade da situação, a população convive com a falta de um posicionamento mais transparente e objetivo do Saae. Os consumidores precisam saber exatamente o que ocorreu, quais equipamentos apresentaram problemas, por que o abastecimento ainda não foi normalizado, quais medidas emergenciais estão sendo adotadas e qual é o prazo real para que a água volte a chegar às residências.

Também causa estranheza o silêncio da Prefeitura de Viçosa. Como responsável pela administração municipal, cabe ao Executivo acompanhar de perto uma situação que atinge milhares de cidadãos e prestar os esclarecimentos necessários. Em momentos como este, a comunicação com a população é tão importante quanto a solução técnica do problema.

Mais do que notas resumidas ou comunicados genéricos, os moradores esperam respostas, planejamento e respeito. Quem paga regularmente pela prestação de um serviço público essencial tem o direito de ser informado com transparência e de receber um abastecimento contínuo e de qualidade.

O caos no abastecimento de água da parte alta de Viçosa evidencia a necessidade de investimentos permanentes na infraestrutura do sistema, de manutenção preventiva e de uma política de comunicação mais eficiente com a população. Enquanto isso não acontece, centenas de famílias continuam enfrentando uma realidade inadmissível: a de viver, por vários dias consecutivos, sem acesso ao recurso mais básico para a vida.

RODÍZIO

Na última semana o Saae de Viçosa, em sua página na internet, informou sobre a realização da modernização e melhoria do sistema de bombeamento da Estação de Tratamento de Água - ETA 1, no bairro Bela Vista. De acordo com o comunicado, “durante a execução da obra, será adotado o sistema de rodízio de abastecimento de água, alterando o fornecimento em algumas regiões da cidade”.

Desde o dia 16 de julho, em forma de rodízio, o abastecimento vem sendo interrompido nas partes altas dos bairros Sagrada Família, Fátima, Santa Clara, Lourdes, Bom Jesus e Estrelas), em Nova Viçosa e na Rua da Conceição. Em dias alternados, o sistema se estende também na parte alta dos bairros Betânia, União, Vale do Sol, Bela Vista, JK, Morada do Sol I e II, Maria Eugênia, Santa Clara (sentido à avenida das Arábias), São Sebastião, Monte Rei, Jardim Europa, Conjunto Habitacional Benjamim Cardoso e regiões adjacentes.

Ao jornal Folha da Mata, a direção do Saae informou que a troca do sistema de bombeamento da captação e da elevatória da ETA 1, iniciada no dia 15 de julho, integra um projeto de modernização da infraestrutura de abastecimento do município e tem previsão de duração de até três semanas.

Os serviços compreendem a substituição dos equipamentos responsáveis pelo bombeamento da água captada na represa da Universidade Federal de Viçosa até a estação de tratamento. 

A autarquia acrescentou que o abastecimento dos bairros situados em regiões mais altas, como Bom Jesus, Santa Clara, Nova Viçosa (Farinheira), Fundão e Cachoeirinha, depende de sistemas de bombeamento, o que torna essas localidades mais suscetíveis a interrupções no fornecimento. Segundo a autarquia, uma das novas bombas de grande porte deverá entrar em operação a partir desta quinta-feira, com a expectativa de ampliar a capacidade de distribuição de água para essas áreas.

O Saae também reconheceu que parte da rede de abastecimento é antiga e demanda substituição. Como exemplo, citou a troca integral da tubulação na rua Marly de Azevedo, ressaltando que a ocorrência de falhas e rompimentos na rede tem contribuído para agravar os problemas no sistema de abastecimento.

Matéria publicada na edição 3629 do jornal Folha da Mata - 23/07/2026. Se você quer ver com exclusividade, fique sempre de olho na banca mais próxima da sua região!