Juíza de Viçosa é palestrante em lançamento de programa estadual

A juíza da Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Viçosa, Isadora Nicoli da Silva, palestrou sobre equidade racial durante o lançamento do "Programa Esperança"

Juíza de Viçosa é palestrante em lançamento de programa estadual
TJMG/divulgação

Viçosa voltou ao centro das atenções no âmbito jurídico nesta terça-feira, 18, quando a juíza da Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Viçosa, Isadora Nicoli da Silva, foi palestrante durante o lançamento da iniciativa estadual "Programa Esperança".

Na Justiça viçosense desde janeiro de 2026, Isadora abordou temas sobre letramento racial, estruturas de poder, ações afirmativas para promoção da equidade, processos de heteroidentificação, desafios e o círculo virtuoso da inclusão racial. Ela dividiu o momento com a diretora de Gestão da Informação Documental da iniciativa, Simone Meireles.

O Programa Esperança é a nova peça do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) a ser utilizada para combater o racismo na área jurídica. O projeto é vinculado à Ejef (Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes), de Belo Horizonte, onde o próprio tribunal oferece formações iniciais e contínuas para juízes e funcionários de seu quadro profissional.

Segundo o TJMG, a atuação do programa consistirá em quatro pilares:

  • Formação e desenvolvimento de competências e letramento racial;

  • Pesquisa e produção de conhecimento: geração, sistematização e disseminação de dados;

  • Diversidade e representatividade docente: garantia de representatividade na educação judicial;

  • Acesso afirmativo à magistratura: uma jornada de preparação.

ORIGEM DO NOME

O nome “Programa Esperança” é inspirado em Esperança Garcia, reconhecida como a primeira advogada brasileira, mulher negra escravizada, cuja trajetória representa marco histórico na defesa dos direitos, da dignidade humana e do acesso à justiça.

Ao comentar o nome do Programa, a juíza da Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Viçosa e integrante do Comitê Gestor do Esperança, Isadora Nicoli da Silva, frisou:

“Compreendemos o passado, olhamos para o presente. O que nós vamos fazer para transformar o futuro? Quando o TJMG se posiciona por meio deste Programa, quer trazer essa discussão não apenas no enfrentamento de suas decisões, mas se posicionar também como agente de transformação”.

Além de servidores e colaboradores da Ejef e magistrados do TJMG, a cerimônia de lançamento contou com a presença de representantes da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (TJMMG), de docentes e pesquisadores da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e da PUC Minas.

QUEM É ISADORA NICOLI DA SILVA

Natural do Rio de Janeiro, ela cresceu na zona oeste carioca e estudou em escolas públicas durante toda a sua formação básica – circunstâncias que representaram, segundo ela, a princípio, um grande obstáculo a ser ultrapassado, mas com uma fé inabalável em Deus, apoio de sua família, inúmeras renúncias e lutas, Dra. Isadora idealizou o sonho de tornar-se juíza.

A partir desse objetivo, ela ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense por meio da ação afirmativa voltada aos alunos egressos de escolas públicas, com acesso ao ensino de qualidade, porém carregado de percalços. Com espírito resiliente, Dra. Isadora amadureceu o sonho de ser magistrada e teve a certeza da jurisdição estadual diante da matéria e do seu papel fundamental na construção do Estado Democrático de Direito, concluindo a graduação em 2017.

Em 2018 ingressou na especialização em Direito Público e Privado pela Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro por meio de concurso público, no qual obteve bolsa integral oferecida para candidatos negros. Em 2025, publicou o artigo “Estudo de Caso: O Processo Estrutural e a Favela da Rocinha”, na Revista Amagis Jurídica, volume 16, número 3.