ETE Barrinha chega à reta final e deve começar a tratar esgoto em dezembro

Com 91,41% da obra concluída, estação entra em fase de testes até o fim de setembro; empreendimento começou a ser planejado há quase duas décadas

ETE Barrinha chega à reta final e deve começar a tratar esgoto em dezembro
ETE Barrinha chega à reta final e deve começar a tratar esgoto em dezembro

Depois de mais de uma década marcada por paralisações, problemas técnicos, revisão de projetos e mudanças no cronograma, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barrinha entra, finalmente, na etapa considerada decisiva para que Viçosa passe a tratar parte de seu esgoto. Segundo informações repassadas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), a obra está 91,41% concluída e a expectativa é de que a estação entre em efetivo funcionamento até dezembro, quando termina o atual contrato com a empresa responsável pela execução.

Antes disso, a ETE deverá entrar em pré-operação até o dia 30 de setembro. Essa etapa não significa ainda o início do tratamento regular do esgoto, mas a realização de testes nos equipamentos e na estrutura, inclusive para verificar possíveis vazamentos e o funcionamento do sistema.

Paralelamente, o Saae trabalha na conclusão dos reparos da rede interceptora instalada ao longo das margens do ribeirão São Bartolomeu. É por meio desses interceptores que o esgoto coletado na cidade será conduzido até a estação. Também estão sendo concluídas interligações de imóveis à rede, principalmente em residências construídas abaixo do nível da rua, onde a ligação convencional exige intervenções específicas.

Após a pré-operação, será realizada uma segunda etapa, chamada pelo Saae de pós-intervenção, que funcionará como uma espécie de operação assistida. Nessa fase serão realizados treinamentos e qualificação dos servidores que atuarão na unidade, além do acompanhamento da empresa responsável pelos equipamentos e pela obra. Só depois dessas etapas a estação deverá entrar efetivamente em funcionamento.

Uma obra de longa história

A expectativa atual representa mais um capítulo de uma história que começou muito antes da construção física da estação. Os primeiros estudos para implantação da ETE Barrinha datam de 2008, enquanto o projeto básico foi elaborado em 2011. A primeira contratação para execução da obra ocorreu em 2014, com previsão de conclusão em cerca de um ano e meio. A obra, porém, não seguiu o cronograma. Problemas técnicos identificados na estrutura construída levaram à paralisação dos trabalhos e à necessidade de revisão dos projetos. Posteriormente, estruturas chegaram a ser demolidas para dar lugar a uma nova configuração da estação. O empreendimento voltou a ganhar ritmo a partir de 2020, sob responsabilidade da Perfil Engenharia, mas também passou por períodos de desaceleração e adequações.

Em 2023, o próprio Saae informava que o projeto de implantação da ETE estava orçado em R$ 30,98 milhões, valor que inclui recursos federais e a participação financeira do município. A primeira contratação, ainda em 2014, tinha previsão de aproximadamente R$ 16 milhões. A diferença ajuda a dimensionar o tamanho da transformação do projeto ao longo dos anos.

160 litros por segundo

Quando estiver plenamente em operação, a ETE Barrinha terá capacidade inicial para tratar 160 litros de esgoto por segundo. De acordo com o Saae, a estação foi projetada para receber o esgoto produzido na área urbana da sede de Viçosa e, após o tratamento, devolver o efluente ao corpo receptor dentro dos padrões ambientais.

Em apresentação feita à Câmara Municipal no ano passado, o Saae estimava que, no início da operação, aproximadamente 40 mil moradores, ou 60% da população urbana, poderiam ser atendidos pelo sistema. A quantidade exata de imóveis que terá acesso imediato ao tratamento, no entanto, ainda não está definida. Segundo a autarquia, esse levantamento dependerá dos resultados da pré-operação e da etapa de operação assistida.

Isso significa que, apesar do avanço físico da obra, ainda existe uma diferença entre ter a estação pronta e ter todo o sistema funcionando em sua capacidade prevista. A chegada do esgoto à ETE depende da conclusão das interligações e do funcionamento adequado de toda a rede coletora e dos interceptores.

Um passo que Viçosa não pode mais adiar

A entrada em funcionamento da ETE Barrinha é aguardada há anos e representa uma mudança importante na estrutura de saneamento de Viçosa. Atualmente, o município possui uma extensa rede de coleta, mas o tratamento é justamente uma das etapas que ficaram pendentes ao longo da expansão do sistema. O Saae informa que Viçosa possui cerca de 220 quilômetros de redes de coleta de esgoto e aproximadamente 10 quilômetros de interceptores responsáveis por conduzir os efluentes até a futura estação.

A conclusão da ETE, portanto, não deve ser vista apenas como o encerramento de uma obra de engenharia. É a tentativa de finalmente completar um sistema de saneamento que começou a ser estruturado há décadas e que consumiu recursos públicos expressivos.

A expectativa agora está concentrada nos próximos meses. Se o cronograma informado pelo Saae for cumprido, setembro será marcado pelos primeiros testes, seguido pela fase de operação assistida, com a promessa de que até dezembro a ETE Barrinha deixe de ser apenas uma obra em andamento e passe, enfim, a cumprir sua finalidade: tratar o esgoto produzido em Viçosa.

Matéria publicada na edição 3668 do Folha da Mata - 17/09/2026. Se você quer ver com exclusividade, fique sempre de olho na banca mais próxima da sua região!