Debate na UFV discute criação de cotas trans e travestis no ensino superior
Evento promovido pelo DCE abordou acesso ao ensino superior e políticas de inclusão na universidade
A Universidade Federal de Viçosa (UFV) sediou, na última quarta-feira, 27, o primeiro debate do projeto “O talento que rompe barreiras: cotas trans e uma UFV mais diversa”. A atividade foi organizada pela Comissão de Cotas Trans e Travestis do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFV) e reuniu estudantes, professores e representantes da educação básica da região.
O encontro discutiu políticas de ação afirmativa voltadas ao acesso de pessoas trans e travestis ao ensino superior. A mesa de debate contou com a participação de Demi Demerson, presidente da Comissão de Cotas Trans e Travestis do DCE-UFV; Vivian Vianna, vice-presidente da comissão; Mallu Almeida, assessora parlamentar e fundadora do programa Empregabilidade Trans Brasil; e Juhlia Santos, vereadora de Belo Horizonte e pesquisadora de gênero.
Além da comunidade acadêmica, participaram diretores da rede estadual de ensino de Viçosa e representantes das Superintendências Regionais de Ensino (SRE) de Ubá e Ponte Nova.
Segundo a organização, a proposta inicial era discutir apenas a implementação de cotas universitárias. No entanto, o debate foi ampliado para incluir representantes da educação básica. De acordo com os organizadores, o objetivo foi aproximar o tema das instituições responsáveis pela formação de futuros estudantes da universidade.
Durante o encontro, integrantes da comissão apresentaram dados sobre vulnerabilidade social enfrentada por pessoas trans e travestis no Brasil. Entre os pontos abordados estiveram abandono escolar, dificuldades de acesso ao mercado formal de trabalho e violência contra essa população.
Os participantes defenderam que as cotas podem atuar como instrumento de reparação diante das dificuldades enfrentadas pela comunidade no acesso à educação, cultura, esporte e emprego formal.
Um dos momentos do debate foi o pedido de um minuto de silêncio em memória de Carol Rocha, jovem trans assassinada em Viçosa aos 20 anos. A homenagem foi conduzida pela vice-presidente da comissão, Vivian Vianna, que destacou a importância da memória na construção de políticas de inclusão.
Ao final do encontro, representantes da comissão afirmaram que continuarão promovendo discussões sobre o tema dentro da universidade e junto à comunidade escolar da região. Segundo os organizadores, a comissão permanece aberta ao diálogo com diferentes setores da sociedade e da UFV.


Comentários (0)