Conheça a trajetória de Leonardo Pena, viçosense que alcançou o topo do Monte Everest

Mai 28, 2026 - 08:00
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Conheça a trajetória de Leonardo Pena, viçosense que alcançou o topo do Monte Everest

Leonardo Pena, de 51 anos, entrou para a história do montanhismo nacional ao se tornar o 49º brasileiro a alcançar o topo do Monte Everest, a montanha mais alta do mundo, localizada na Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre o Tibete, na China, e o Nepal.

Diversos grupos de expedição realizaram a subida simultaneamente ao Everest, totalizando 274 alpinistas. O grupo integrado por Leonardo contava com cerca de nove participantes.

A subida rumo ao cume começou na madrugada de sexta-feira, 15 de maio, para sábado, 16, e o grupo alcançou o chamado “topo do mundo” no dia 20.

Segundo Leonardo à reportagem do jornal Folha da Mata, a escalada do Everest e de outras montanhas do Himalaia é completamente diferente de expedições em outras regiões do planeta devido às condições extremas, principalmente pela baixa concentração de oxigênio causada pela altitude elevada e pelas condições climáticas severas. No cume do Everest, as temperaturas médias durante o dia ficam em torno de -36°C, podendo chegar a -60°C durante a noite.

Ele explicou ainda que, a 8.848 metros de altitude, o nível de oxigênio corresponde a apenas cerca de 33% do encontrado ao nível do mar, o que faz o corpo perder calor rapidamente e aumenta significativamente os riscos de congelamento.

Trechos mais perigosos da escalada

Durante a subida, um dos trechos mais perigosos enfrentados pela equipe foi a Cascata de Khumbu, uma região de gelo em constante movimentação e conhecida pela instabilidade. De acordo com Leonardo, são frequentes as quedas de blocos de gelo e avalanches no local.

Nesta temporada de 2026, um acidente atingiu quatro alpinistas que, segundo informações repassadas à equipe, foram resgatados com vida. Leonardo estava um pouco à frente do local e não presenciou o momento do acidente.

Preparação

A preparação para uma expedição como a do Everest, segundo o alpinista, exige meses de treinamentos físicos e respiratórios, além de simulações de altitude para adaptar o organismo às condições extremas da montanha. Todo o processo foi acompanhado por uma equipe especializada e também pela esposa de Leonardo, Laura D’Angelo, médica anestesiologista.

Antes da tentativa de alcançar o cume, Leonardo passou pelo processo de aclimatação (método de adaptação gradual do corpo humano a novas condições ambientais);

Comunicação durante a expedição

Durante toda a expedição, familiares e amigos acompanharam a localização do alpinista por meio de um rastreador via satélite. Segundo Leonardo, a comunicação era feita principalmente por mensagens de texto enviadas pelo equipamento, permitindo que a esposa, familiares e amigos acompanhassem sua movimentação na montanha.

Ele relatou que os momentos em que permanecia parado durante a escalada geravam apreensão em quem acompanhava à distância, já que as pausas podiam significar apenas descanso ou troca de cilindros de oxigênio, mas também levantavam preocupação devido às condições extremas da montanha e ao tempo limitado de oxigênio disponível.

Fratura antes da viagem

Leonardo também revelou que enfrentou um problema sério poucas semanas antes da viagem ao Everest. Cerca de 45 dias antes do embarque, sofreu uma queda e fraturou três costelas. Mesmo com dores, manteve o planejamento da expedição, realizando tratamento intensivo e adaptando os treinamentos durante o período de recuperação.

Segundo ele, a experiência reforçou a importância da persistência diante das dificuldades. Para o alpinista, alcançar objetivos exige enfrentar obstáculos, superar adversidades e manter o foco, mesmo diante dos momentos mais difíceis.

Trajetória

Filho de Joacy Domingos Pena e Yara Lúcia Campos Alves, e irmão de Fernanda e Cristiano, Leonardo Pena se mudou ainda jovem para Viçosa com a família, por conta das ligações familiares com a região de Canaã, cidade de origem do pai e onde mantém vínculos até hoje. A família chegou ao município em 1921.

Em Viçosa, estudou inicialmente no antigo Grupo da Praça e, posteriormente, no Colégio Equipe e no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (Coluni). Foi durante o período escolar que começou a ter contato mais próximo com montanhas, participando de excursões para locais como o Pico da Bandeira, o Pico das Agulhas Negras e outros parques.

Após concluir os estudos no Coluni, mudou-se para Belo Horizonte, onde cursou Engenharia Metalúrgica e de Materiais. No fim da década de 1990, influenciado pelo irmão Cristiano Pena, passou a frequentar regiões de escalada em rocha no estado de São Paulo, iniciando a prática no esporte.

Anos depois, com o irmão vivendo em Seattle, nos Estados Unidos, Leonardo ampliou o contato com o montanhismo em regiões onde o esporte possui forte tradição. Paralelamente, trabalhava em uma empresa multinacional com sede na Áustria, o que também contribuiu para ampliar sua experiência em montanhas fora do Brasil.

Na década de 2010, já acumulando experiência no montanhismo, iniciou expedições nos Andes, escalando montanhas de aproximadamente 5 mil metros em países como Peru, Bolívia, Argentina e Equador. Em 2022, passou a explorar o Himalaia, enfrentando montanhas acima dos 7 mil metros de altitude.

Em 2025, Leonardo realizou a primeira tentativa de chegar ao topo do Everest, alcançando pontos próximos ao cume. Já em 2026, conseguiu concluir o principal objetivo da carreira no montanhismo ao alcançar o ponto mais alto do planeta.