Conheça a trajetória de Leonardo Pena, viçosense que alcançou o topo do Monte Everest

Conheça a trajetória de Leonardo Pena, viçosense que alcançou o topo do Monte Everest

Leonardo Pena, de 51 anos, entrou para a história do montanhismo brasileiro ao se tornar o 49º brasileiro a alcançar o topo do Monte Everest, a montanha mais alta do mundo, localizada na Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre o Tibete, na China, e o Nepal.

Diversos grupos de expedição realizaram a subida simultaneamente ao Everest, totalizando 273 alpinistas. O grupo integrado por Leonardo contava com cerca de nove participantes.

A subida rumo ao cume começou na madrugada de sexta-feira, 15 de maio, para sábado, 16, e o grupo alcançou o chamado “topo do mundo” no dia 20.

Segundo Leonardo, a escalada do Everest e de outras montanhas do Himalaia é completamente diferente de expedições em outras regiões do planeta devido às condições extremas, principalmente pela baixa concentração de oxigênio causada pela altitude elevada e pelas condições climáticas severas. No cume do Everest, as temperaturas médias durante o dia ficam em torno de -36°C, podendo chegar a -60°C durante a noite. 

Ele explicou ainda que, a 8.848 metros de altitude, o nível de oxigênio corresponde a apenas cerca de 33% do encontrado ao nível do mar, o que faz o corpo perder calor rapidamente e aumenta significativamente os riscos de congelamento.

Durante a subida, um dos trechos mais perigosos enfrentados pela equipe foi a Cascata de Khumbu, uma região de gelo em constante movimentação e conhecida pela instabilidade. De acordo com Leonardo, são frequentes as quedas de blocos de gelo e avalanches no local. Nesta temporada de 2026, um acidente atingiu quatro alpinistas, que, segundo informações repassadas à equipe, foram resgatados com vida. Leonardo estava um pouco à frente do local do acidente e não presenciou o momento.

A preparação para uma expedição como a do Everest, segundo o alpinista, exige meses de treinamentos físicos e respiratórios, com simulações de altitude para adaptar o organismo às condições extremas da montanha. Todo o processo foi acompanhado por uma equipe especializada e também pela esposa de Leonardo, Laura D’Angelo, médica anestesiologista.

Antes da tentativa de alcançar o cume, Leonardo passou pelo processo de aclimatação, etapa fundamental para adaptação do corpo à altitude. Ele optou por realizar apenas um ciclo de aclimatação, já que vinha de um treinamento prévio específico com simulações de altitude elevada. Durante o processo, saiu do campo base, a 5.300 metros, passou pelos campos 1 e 2, localizados a 6.100 e 6.500 metros, respectivamente, até atingir os 7.100 metros no campo 3, em um dos trechos mais técnicos da escalada, conhecido como Parede do Lhotse.

Após retornar ao campo base, a equipe aguardou a chamada “janela de cume”, período em que as condições climáticas ficam minimamente favoráveis para a subida final. Leonardo destacou que ventos fortes podem inviabilizar completamente a escalada, mesmo diante de toda a preparação física e técnica.

Durante toda a expedição, familiares e amigos acompanharam a localização do alpinista por meio de um rastreador via satélite. Segundo Leonardo, a comunicação era feita principalmente por mensagens de texto enviadas pelo equipamento, o que permitia que a esposa, familiares e amigos acompanhassem sua movimentação na montanha.

Ele relatou que os momentos em que permanecia parado durante a escalada geravam apreensão em quem acompanhava à distância, já que as pausas podiam significar apenas descanso ou troca de cilindros de oxigênio, mas também levantavam preocupação devido às condições extremas da montanha e ao tempo limitado de oxigênio disponível.

Leonardo também revelou que enfrentou um problema sério poucas semanas antes da viagem ao Everest. Cerca de 45 dias antes do embarque, sofreu uma queda e fraturou três costelas. Mesmo com dores, manteve o planejamento da expedição, realizando tratamento intensivo e adaptando os treinamentos durante o período de recuperação.

Segundo ele, a experiência reforçou a importância da persistência diante das dificuldades. Para o alpinista, alcançar objetivos exige enfrentar obstáculos, superar adversidades e manter o foco, mesmo diante dos momentos mais difíceis.

Trajetória

Filho de Joacy Domingos Pena e Yara Lúcia Campos Alves e irmão de Fernanda e Cristiano, Leonardo Pena se mudou ainda jovem para Viçosa com a família, por conta das ligações familiares com a região de Canaã, cidade de origem do pai e onde mantém vínculos até hoje. A família chegou ao município em 1921.

Em Viçosa, estudou inicialmente no antigo Grupo da Praça e, posteriormente, no Colégio Equipe e no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (Coluni). Foi durante o período escolar que começou a ter contato mais próximo com montanhas, participando de excursões para locais como o Pico da Bandeira, o Pico das Agulhas Negras e outros parques.

Após concluir os estudos no Coluni, mudou-se para Belo Horizonte, onde cursou Engenharia Metalúrgica e de Materiais. No fim da década de 1990, influenciado pelo irmão Cristiano Pena, passou a frequentar regiões de escalada em rocha no estado de São Paulo, iniciando a prática do esporte.

Anos depois, com o irmão vivendo em Seattle, nos Estados Unidos, Leonardo ampliou o contato com o montanhismo em regiões onde o esporte possui forte tradição. Paralelamente, trabalhava em uma empresa multinacional com sede na Áustria, o que também contribuiu para ampliar sua experiência em montanhas fora do Brasil.

Na década de 2010, já acumulando experiência no montanhismo, iniciou expedições nos Andes, escalando montanhas de aproximadamente 5 mil metros em países como Peru, Bolívia, Argentina e Equador. Em 2022, passou a explorar o Himalaia, enfrentando montanhas acima dos 7 mil metros de altitude.

Em 2025, Leonardo realizou a primeira tentativa de chegar ao topo do Everest, alcançando pontos próximos ao cume. Já em 2026, conseguiu concluir o principal objetivo da carreira no montanhismo ao alcançar o ponto mais alto do planeta.