A Universidade Federal de Viçosa (UFV) se faz presente, com a professora Hewlley Acioli Imbuzeiro, e a doutoranda e estudante visitante na instituição, Erin Koster, em um artigo que alerta sobre o avanço de ameaças socioambientais às Terras Indígenas da Amazônia e defende a proteção legal em áreas ao redor delas.
De acordo com as pesquisadoras, o artigo revela que o enfraquecimento da fiscalização e alterações nas leis de proteção, somados às invasões associadas à mineração, ao tráfico de animais silvestres e à exploração ilegal de madeira e pesca, ameaçam a integridade dos povos indígenas e seus modos de vida.
O trabalho destaca o Vale do Javari, no oeste do Amazonas, que conta com a maior concentração mundial conhecida de povos indígenas em isolamento voluntário. A região abriga cinco povos que mantêm contato com a sociedade ao redor (Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari e Kulina), dois povos de contato recente (Korubo e Tsohóm-Djapá) e pelo menos 14 grupos em isolamento voluntário.
"Esta região, no oeste do Amazonas, tem relevância internacional por abrigar conhecimentos ancestrais e biodiversidade ainda pouco conhecida em áreas de preservação. Por estar situada na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, está constantemente exposta a ameaças transnacionais e precisa de proteção efetiva do Estado brasileiro, em cooperação com os países vizinhos”, afirma a professora Hewlley.
Demarcada em 2001, a região ganhou projeção internacional em 2022, por conta dos assassinatos do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, justamente pelos problemas relatados no artigo científico.
O artigo científico mostra que, enquanto a cobertura florestal permaneceu relativamente estável dentro do território demarcado, o desmatamento avançou em seu entorno. Em 2022, a perda florestal total na zona cumulativa que se estende por até 200 quilômetros ao redor da Terra Indígena Vale do Javari foi aproximadamente 187,5 vezes maior que a registrada dentro da TI.