COLUNA | VICENTE REPERCUTE FRANCISCO

Em comunhão com a Igreja, o emblemático templo erigido na Avenida Nova P.H. Rolfs e a Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) promovem as festividades em honra de seu Padroeiro.

Nos passos do “Pai da Caridade”, uníssonos, contemplamos o “Pai Seráfico”, isto porque o Papa Leão XIV proclamou 2026 como o Ano Jubilar Franciscano, no oitavo centenário da morte (Trânsito) de São Francisco de Assis.

Por meio de documento da Penitenciaria Apostólica, o Santo Padre proclamou, no dia 10 de janeiro, o Ano Jubilar especial pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, celebração que se estenderá até 10 de janeiro de 2027.

A distância cronológica de meio milênio de anos, longe de afastar Vicente de Francisco, aproxima a humanidade inteira dos verdadeiros “elos” em que se constituem todas e cada uma das ramificações que tanto uma quanto a outra Ordem Religiosa evoluíram.

O Ano Jubilar Franciscano é o jubileu em que a caridade é posta em pauta, por conta do perdão das dívidas etc. Nada melhor para ilustrar esta postura eclesial que o exemplo de São Vicente de Paulo, pois ele é considerado o Pai da Caridade, ou seja, o patrono das obras de caridade.

Trilhou um caminho de dedicação aos pobres e às missões populares. É o inspirador de Antônio Frederico Ozanam para a fundação da Sociedade que leva seu nome e cuida, em especial, dos mais vulneráveis. Inúmeras paróquias mundo afora o têm por Padroeiro. Na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Viçosa, temos alguns bairros rurais que compõem uma de suas comunidades.

Trata-se da aconchegante Igreja de São Vicente de Paulo, situada na Avenida Nova P.H. Rolfs.

Balizamos a fase preparatória das festividades por meio de duas iniciativas: visita da Imagem Peregrina e da Relíquia do Padroeiro a todas as famílias que residem nos bairros rurais do território da Comunidade, tendo como desfecho o Tríduo e a Festa de São Vicente de Paulo na Igreja a Ele dedicada.

De sua parte, a SSVP criou e fez acontecer o Projeto “Sacode 2.0”, do Conselho Metropolitano de Ouro Preto, que surge como um chamado para voltar às raízes, reacender o carisma vicentino e renovar o entusiasmo nas Conferências.

Trata-se de um Projeto que se apoia no Pilar Essencial (Jesus Crucificado); Pilar de Sustentação (Eucaristia); Pilar de Inspiração (São Vicente de Paulo); Pilar de Coragem (Ozanam) e Pilar de Virtude (Virgem Maria).

Aquecidas as turbinas, a “aeronave”, após taxiar até alcançar a cabeceira da pista de pouso, resta-nos alçar voo para... “buscar as coisas do alto!”. Pois é lá onde contemplaremos o “Sol da Justiça”, o “Príncipe da Paz!”.

Conhecendo melhor Vicente de Paulo

Certa vez, estando o grande apóstolo dos pobres em oração diante do tabernáculo, alguém veio dizer-lhe que havia um mendigo na portaria, chamando por ele.

Vicente, erguendo os olhos, cochichou:

“Deixo-te aqui, Senhor, no Santíssimo Sacramento, e vou encontrar-me contigo lá fora, na pessoa desse irmão que me chama”.

Vicente de Paulo nasceu em 24 de abril de 1581, em Pouy, Gascony, na França. Quando menino, sua obrigação era cuidar do rebanho do sítio de seus pais.

Em 1596, foi estudar teologia em Toulouse. Ordenado padre aos 19 anos de idade, antes de se estabelecer em Paris, como capelão da rainha Margarida de Calois, por dois anos foi prisioneiro dos maometanos. Foi libertado pelo próprio dono, que ele converteu.

Notável foi sua dedicação aos “remadores” — homens tirados das prisões e condenados a remar nas galés —, levando-lhes apoio material e espiritual.

É extraordinária a ascensão que teve sobre a alta sociedade de seu tempo, do cardeal Richelieu à regente Ana da Áustria, ao próprio rei Luís XIII, que, no leito de morte, o quis a seu lado.

A Richelieu, Vicente ousava gritar diante da miséria do povo: “Senhor, tende piedade de nós, dai-nos a paz”.

Vicente obteve do regente o encargo de Ministro da Caridade e organizou os auxílios aos pobres em escala nacional. Diziam que em suas mãos passava mais dinheiro que nas do ministro das Finanças. Mas, no seu banco da Caridade, não havia capitalização. Todos enchiam as mãos de Vicente para ele distribuir largamente aos pobres.

Como fruto de seu espírito generoso, temos quatro instituições fundadas por Vicente de Paulo: a Confraria das Damas de Caridade; os Servos dos Pobres; a Congregação dos Padres da Missão ou Lazaristas, aos quais confiou a dupla incumbência de contribuir para a formação dos futuros sacerdotes e de organizar pregações adequadas — as missões — especialmente para o povo da lavoura; e, junto com Santa Luísa de Marillac, fundou a Companhia das Filhas da Caridade ou Irmãs Vicentinas, tão conhecidas pelo apostolado que exercem no campo da saúde e da educação.

O Presbítero Vicente de Paulo continua espargindo raios luminosos de uma Igreja samaritana. Tendo morrido em Paris, em 27 de setembro de 1660, merece uma especial homenagem este santo, que foi canonizado no ano de 1737.

A espiritualidade do Pai da Caridade nos faz perceber com nitidez que a missão da Igreja nos ajuda a refletir sobre a verdade de que, após cinco séculos, VICENTE REPERCUTE FRANCISCO!

Pároco de Santa Rita de Cássia, Viçosa

Coluna publicada na edição 3673 do Folha da Mata - 24/09/2026. Se você quer ver com exclusividade, fique sempre de olho na banca mais próxima da sua região!