Populares que passaram pela região central de Viçosa podem ter ficado confusos com a aparição de diversas esferas posicionadas em um dos principais patrimônios históricos da cidade.
A Estação Hervé Cordovil, também conhecida como "Estaçãozinha", teve parte de sua fachada coberta com 138 esferas produzidas a partir de cabos que seriam descartados em ambiente urbano.
O trabalho chama a atenção de quem passa pela região, principalmente pela uniformidade e posição das esferas, que dão um contraste moderno a um patrimônio com aspectos antigos de Viçosa.
Intitulado "Hachuras e Tecituras de uma Contemporaneidade Ancestral", o projeto é de autoria do artista de Viçosa Francisco Rosa, que, após levar as mesmas obras à Teixeiras, agora oficialmente monta a arte no município.
Segundo ele, as 138 esferas representam os 138 anos transcorridos desde a abolição da escravidão no Brasil (1888-2026), voltando-se a uma reflexão temporal, histórica e de memória.
A obra é um dos resultados de uma pesquisa desenvolvida há 16 anos por Francisco, que analisa a poluição visual e o descarte material no ambiente urbano.
"A pesquisa reúne sustentabilidade, responsabilidade social e criação artística. Retirar das ruas aquilo que seria descarte e devolver ao mundo em forma de arte é uma maneira de ressignificar materiais que perderiam sua função e provocar uma reflexão sobre a nossa própria conexão com a história”, destaca o artista.
Além da exposição, também serão realizados encontros com fazedores de balaios, na tentativa de ampliar o diálogo entre a pesquisa artística e os saberes tradicionais.
Depois de Viçosa, o projeto seguira para Araponga. A iniciativa ficou, inclusive, na 13º posição de um edital estadual da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab) e, na cidade viçosense, conta com apoio da prefeitura.
O ARTISTA
Com mais de 25 anos de trajetória, Francisco Rosa atua como artista visual e curador. Natural de Guaraciaba, desenvolveu parte importante de sua trajetória em São Paulo, onde trabalhou como artista visual e curador e teve obras apresentadas em importantes museus e instituições culturais. Sua produção também chegou a espaços expositivos internacionais. Francisco é criador do Aramismo, linguagem que marca sua pesquisa artística.