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Engenheiro viçosense entre os indiciados pelo rompimento da barragem da Samarco

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, na última terça-feira, 23, o primeiro inquérito do rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, ocorrido em novembro do ano passado, em Mariana. Sete pessoas foram indiciadas por crime de homicídio qualificado pelo dolo eventual, inundação e por poluição de água potável, morte de 17, sendo que duas outras pessoas ainda continuam desaparecidas.
Entre os indiciados está o engenheiro viçosense Samuel Santana Paes Loures, engenheiro responsável pela declaração de estabilidade da barragem de Fundão, da empresa VogBR. Além dele, também foram indiciados o diretor presidente da Samarco, Ricardo Vescovi de Aragão, o diretor de Operações, Kleber Luiz de Mendonça Terra, o gerente geral de Projetos, Germano Silva Lopes, o gerente de Operações, Wagner Milagres Alves, o coordenador de Planejamento e Monitoramento, Wanderson Silvério Silva, a gerente e Geotecnica e Hidreologia, Daviele Rodrigues da Silva.
De acordo com a polícia, a causa do rompimento da barragem foi "liquefação", que ocorreu junto aos rejeitos arenosos que suportavam os "alteamentos" (levantamento para aumento da capacidade de armazenamento), realizados na área esquerda da barragem, onde foi feito um desvio na forma de um "s", abrangendo toda a extensão do recuo, e causando o rompimento.
Segundo o delegado, foi pedida também à Justiça a prisão preventiva dos sete acusados. O inquérito possui 13 volumes, 2.432 páginas e foram colhidos depoimentos de cerca de 100 pessoas.
"A partir do rompimento da barragem, diversos crimes foram consumados, entre delitos contra a vida, o meio ambiente e a saúde pública", afirmou Bustamante.
Os diretores e técnicos da Samarco, além do engenheiro da VogBR, Samuel Santana Paes, foram indiciados no artigo 121 (homicídio qualificado), ação que possa resultar em perigo comum, com pena prevista de 12 a 30 anos; artigo 254, crime de inundação, pena de três a seis anos, e poluição de água potável, detenção de seis meses a dois anos.
Segundo o delegado, a causa do desastre, com elevada saturação de rejeitos depositados na barragem, além do processo de liquefação (sedimento sólido que, com a redução de sua resistência, passa a se comportar com se fosse líquido), aconteceu ainda por causa de um "monitoramento deficiente em virtude do número reduzido de equipamentos instalados na barragem.
Os 34 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram depositados nos cursos d´águas no Rio Doce, causando a interrupção de fornecimento de água potável para milhares de pessoas. Assim, eles são acusados também de crime contra a saúde pública", afirmou o delegado.
A Samarco informou, no início da noite desta terça-feira, 23, por meio de nota, que considera "equivocados os indiciamentos e as medidas cautelares de privação de liberdade propostas pela autoridade policial".
A mineradora informou que vai aguardar a decisão da Justiça sobre o pedido de prisão dos ex-executivos da empresa para tomar providências. "A empresa analisará cuidadosamente as conclusões apresentadas pela Polícia Civil (...) e reitera que continua colaborando com as autoridades competentes", diz a nota.

Polícia Federal
Na última quarta-feira, 17, policiais federais estiveram em Viçosa, na casa de um engenheiro civil, em busca de documentos que poderão adicionar informações à investigação, já que, segundo a própria PF, há suspeitas de que a Samarco esteja escondendo dados sobre o monitoramento das barragens.
Este engenheiro, segundo a Polícia Federal, foi um dos responsáveis por assinar o laudo atestando que a barragem não oferecia riscos de rompimento. A polícia não repassou o nome do engenheiro investigado.
Segundo declarações do delegado Alexandre Leão, chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, e Roger de Lima Moura, chefe do inquérito que investiga o rompimento da barragem, a apuração da queda da represa levantou a possibilidade de a empresa não ter repassado todos os dados disponíveis.
Conforme declarações deles, na Imprensa estadual, já foram constatadas divergências nos depoimentos de representantes da empresa, sobretudo em relação ao número de piezômetros (equipamentos usados para verificar o volume de água na barragem) e sobre as informações que esses medidores apontavam. A Polícia Federal já concluiu também que os alteamentos da represa, obras realizadas para aumentar a capacidade, vinham sendo realizados em ritmo superior ao recomendado.

Formação
Samuel Santana Paes concluiu graduação em Engenharia Civil pela UFV (Universidade Federal de Viçosa) em 2003 e o doutorado em Engenharia Civil pela mesma universidade em 2008. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Geotecnia Ambiental. Possui experiência na área de Projetos e Consultoria em Mineração, estabilidade de taludes, controle de erosão e investigações geológico-geotécnicas.

 

 

Samuel Santana Paes Loures

Autor: Folha da Mata

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